Resenhas

Aleksi Perälä – Resonance

EP dá continuidade às experimentações do produtor finlandês com a sequência microtonal de Colundi

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Selo: Trip Recordings
# Faixas: 10
Estilos: IDM, Post-Rave, Techno
Duração: 45’
Produção: Aleksi Perälä

Desde o começo de sua carreira, nos anos 2000, o finlandês Aleksi Perälä traz a desconstrução como uma das características mais proeminentes de seu trabalho. Seu campo de experimentação sempre foi o da música eletrônica – permeando entre subgêneros como Techno, IDM e Post-Rave. No entanto, há pouco mais de cinco anos, o produtor deu uma guinada em sua sonoridade. Ele passou a utilizar um sistema conhecido como a sequência de Colundi, uma ideia que tem trazido intensa inventividade para o seu espírito criativo desde então.

Em linhas gerais, a sequência Colundi é uma série de notas afinadas de forma diferente da usual. Enquanto a escala mais conhecida entre os músicos tem 12 tonalidades, a de Colundi procura explorar os espaços entre esses tons pré-estabelecidos. Assim, surgem novas possibilidades de harmonias e de profundidade melódica. Apesar desta também ser a ideia base da afinação microtonal, o sistema colundiano foi pensado para ser um método de composição para sintetizadores que podem alterar estes tons em frações microscópicas. É mais do que um novo sistema de afinações, é uma abordagem de composição cuja diretriz se torna a noção do que “soa bem” ao autor, no lugar de um sistema matemático que funda os doze tons padrão.

Resonance marca 6 anos, 7 meses e 19 dias (segundo uma contagem do próprio Aleski) do início de sua aventura com a sequência Colundi. A crescente da comunidade de adeptos desse sistema tem se intensificado de tal maneira que Colundi se tornou uma filosofia que vai para além da música. E é justamente nesses novos rumos que este disco adquire suas particularidades quase trancendentais. Para começar, o título do trabalho já faz alusão à Colundi: suas notas em frequências menos usuais causam “ressonâncias” imprevisíveis. Neste sentido, Aleksi é o ponto de partida das composições, mas a forma como elas se desenrolam e chegam aos nossos ouvidos é algo que assume vida própria. Como em uma espécie de exercício de desapego do total controle criativo que um produtor costuma ter.

Mesmo quem não se interessa tanto pela parte teórica por trás das escolhas de Aleksi, quando ouvir Resonance, vai perceber que há algo de diferente na complexidade dos elementos que compõe este registro. Ao mesmo tempo em que o artista desconstrói unidades básicas de composição e gêneros da música eletrônica, ele também evoca uma multiplicidade de significados vivos e orgânicos. De uma construção sintética, cria-se vida própria.

(Resonance em uma faixa: “B1_ UKMH51900042”)

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.