Resenhas

Allie X – CollXTion II

Disco de estreia surpreende pela simplicidade e potência em tratar da dor e formação de caráter

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Ano: 2017
Selo: Twin Music
# Faixas: 10
Estilos: Synthpop, Pop Alternativo, Synthwave
Duração: 35:38
Nota: 4.0
Produção: Jordan Palmer, Allie X, Mike Wise, Billboard, J Gramm Beats, Realmind, Cirkut e Chris Braide

Allie X entendeu plenamente o que é ser uma estrela Pop nos dias atuais. A canadense ganhou relativa fama com seu primeiro EP, Collxtion I, a partir do momento que trouxe uma série de composições bem produzidas, com a dose certa de pegajosidade e uma exploração certeira de timbres potentes de sintetizadores. É curioso que EP é apenas um nome técnico, pois a própria Allie disse em uma entrevista que este registro é mais uma coleção de momentos do que um compilado de faixas. Quando se opta por este termo, dá para notar a vontade de relevar o aspecto extremamente pessoal que estas músicas tem para com a artista. Entretanto, não é só por causa disso que a cantora entende o Pop. Este momento veio refinado na segunda parte de sua coleção pessoal, um álbum de estreia que põe Allie X no mesmo patamar de gigantes do gênero.

Collxtion II tem a ver com a dor formando nosso caráter. As dez faixas exploram processos extremamente pessoais da cantora, bem como expõem as duras lições que vieram destes intensos momentos. Allie chegou a comentar que a capa de seu trabalho é extremamente simbólica neste sentido, com um figurino bastante juvenil tentando reconstruir partes de seu corpo. A partir de músicas com arranjos relativamente simples, somos aguçados a entender lições bastante profundas de uma forma direta e este talvez seja o maior trunfo do disco. Temas difíceis não necessitam de abordagens complicadas, apenas de um conselho direto e bem falado.

Com um time de produtores fantásticos a seu dispor, a compositora mostra impecável talento e preocupação com sua obra, uma vez que antes do disco ser lançado, ela pediu aos fãs que escolhessem dentre demos e singles quais músicas eles gostariam de ver em disco de estreia. Assim, Allie mostra a compreensão de ser uma estrela do Pop, identificando as responsabilidades que suas mensagens podem ter com aqueles que se relacionam com sua música.

Paper Love já nos entrega uma canção sobre a fragilidade do amor, com um ambientação etérea à la Grimes e uma batida Hip Hop suingada. Já Need You nos fala sobre corações partidos, nos envolvendo com arranjos Chillwave com apelo melancólico. O single Casanova é mais denso e dançante, trazendo referências da House Music dos anos 1990. Old Habits Die Hard, por sua vez, talvez seja a melhor representante da Synthpop no disco, exagerando na força dos timbres e poupando poucos esforços para nos fazer compreender sobre as dificuldades de voltar à rotina após um término. That’s So Us é o jeito funeral Pop de Allie X nos mostrar uma balada fofa de amor: uma série de paradoxos deliciosos de se dançar. True Love Is Violent encerra o disco com uma forte balada tecendo sérias conclusões sobre os traumas experimentados até então.

Collixton II é um disco de estreia fantástico, tanto pela maturidade de sua compositora, quanto pela abordagem simples e profunda de um tema tão comum. Allie X nos entrega uma obra completa que funciona com ou sem nossas experiências. Assim, dependendo de quem escuta o álbum, ele pode ser uma dolorosa e epifânica narrativa ou uma atenta e divertida sessão de terapia, onde o descarrego é parte integrante da experiência. Esperamos que as próximas coleções da cantora possam nos encantar tanto quanto esta.

(CollieXtion II em uma faixa: Need You)

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.