Resenhas

Andrew Bird – Hands of Glory

O EP que complementa o último álbum “Break It Yourself” ficou ainda melhor que o original ao apresentar o lado mais sensível do músico

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Ano: 2012
Selo: Mom + Pop
# Faixas: 8
Estilos: Folk, Folk Rock, Indie Folk
Duração: 35'
Nota: 4.5

Break It Yourself apareceu como um álbum bem completo quando lançado em março, por isso a surpresa quando, em setembro, Andrew Bird anunciou que lançaria um EP com algumas faixas complementares à obra. Porém, surpreendente mesmo é a beleza de Hands of Glory, disco que sabe cativar com oito faixas que destilam o melhor do músico em pouco mais de meia hora.

Ele começa com o baixo pulsante de Three White Horses, que parece mesmo uma canção que ficou de fora de Break It Yourself. Boa música, mas nenhuma surpresa até aí. O clima de Velho Oeste reverberado em When That Helicopter Comes começa a chamar a nossa atenção de fato e a seguinte, Spirograph, traz uma deliciosa pegada de música para viajar com o vento batendo no rosto pela janela do carro e se perder nos muitos timbres de cordas que compõem a música sem sobrecarregá-la. Dá pra ver que Bird sabe cada vez mais dosar todos os elementos em uma só faixa.

E isso vale também para o seu vocal. Ele pode ter ficado conhecido por seu violino, mas sua voz firma-se cada vez mais como uma das marcas de sua arte. Ela sabe ser caipiresca na medida certa solando em Railroad Bill ou com um coro em If I Needed You, ou ainda introspectiva sem ser sussurrada na belíssima Something Biblical, uma das mais bonitas e sinceras do EP.

Ainda assim, a gema ficou para o final. A penúltima faixa, Orpheo, vem como uma versão alternativa da Orpheo Looks Back do álbum. Se a original encontrava sua beleza nos diversos momentos entre coro e cordas, a nova música surge como um suspiro íntimo e pessoal que encontra o desabafo na figura mitológica do Orfeu para expressar o duro otimismo durante uma fase infernal da vida.

A impressão que dá é a de que Break It Yourself foi meticulosamente bem preparado pela mente, enquanto Hands of Glory foi pensado com o coração. Mesmo o fechamento com Beyond the Valley of the Three White Horses, com mais de nove minutos de duração e sem nenhuma letra, é emocional, sensível. Não se tratam de oito faixas que faltaram no álbum (ou que sobraram dele), mas a metade direita do cérebro que vem ao encontro da discografia cada vez melhor de Andrew Bird.

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BOM PARA QUEM OUVE: Jake Bugg, Mumford & Sons, Phillip Long
ARTISTA: Andrew Bird

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.