Resenhas

Andrew Wyatt – Descender

Muito longe do Pop do Miike Snow, músico desbrava terrenos do Chamber Pop e do psicodelismo em seu novo disco solo

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Ano: 2013
Selo: Downtown Records
# Faixas: 9
Estilos: Rock Progressivo, Indie Folk, Chamber Pop
Duração: 29:55
Nota: 2.5
Produção: Andrew Wyatt
SoundCloud: /tracks/86967488
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fdescender%2Fid612469

Apesar de ser um genuíno nova-iorquino, Andrew Wyatt só experimentou o sucesso comercial após se juntar ao trio sueco Miike Snow. Com dois discos lançados sob esta banda, o músico angariou fama e público suficientes para lançar um ambicioso álbum em sua carreira solo. Quase como uma cisão com Pop de sua banda, Descender é um trabalho que foge (e muito) da proposta radiofônica dos suecos. Ele se mostra uma obra amplamente orquestrada e imersa em tons psicodélicos (as letras labirínticas e viajadas contribuem muito pra isso), que se comunicam ainda com a vibe do Chamber Pop.

Para tal, o músico convidou a Orquestra Filarmônica de Praga, composta por 75 músicos que fornecem grande parte desta robusta sonoridade vista em Descender. As semelhanças com sua banda são raramente vistas (isso é claro se não levarmos em consideração o vocal) e aparecem mais como a sensibilidade Pop de Andrew do que a vibe comercial de Miike Snow. Deixando essas comparações de lado, esta é uma obra rica e altamente experimental, mas, por outro lado, nada coesa – o que com repetidas audições pode se tornar também um pouco cansativa.

Com nove faixas, o disco se mostra, em diversos aspectos, dividido entre influências bem díspares. Se por um lado há grande evocação de Zombies, Peter Gabriel e The Flaming Lips, há também algo mais rústico e contemporâneo vindo de Father John Misty e Edward Sharpe. Vagando por estes extremos, o disco compila canções expansivas e (em sua maioria) muito bonitas se olhadas separadamente. Quando postas em conjunto, a história é um pouco diferente.

Horse Latitudes abre o disco mostrando um pouco dessa mistura entre o Rock Progressivo, Indie Folk e Chamber Pop através de sua rica instrumentação, tons etéreos vindos das experimentações eletrônicas e principalmente através de sua melodia excêntrica. O single Harlem Boyzz vem em seguida mostrando certa influência do Doo-Wop; Cluster Subs mostrando uma afinidade maior ao Pop (lembrando igualmente a musicalidade de SILVA e as novas referências do Phoenix); a sisuda She’s Changed é carregada pelo Rock Progressivo e pelas mudanças de temperamento. E assim o disco continua por sua extensão, cada canção mostrando um lado deste nonaedro de Wyatt.

Elas basicamente continuam assim até a chegada da faixa-título. Essencialmente experimental, ela elenca uma série de sonoridades incongruentes – no que parece ser um amontoado de barulhos – quebrando completamente o bom ritmo imposto nas anteriores. Na estranha In Paris They Know How to Build a Monument, a orquestração, pela primeira vez, parece entrar em conflito com a voz de Wyatt – criando um misto cacófono em que uma produção inteligente poderia ter-lhe livrado de soar assim. There Is a Spring volta aos eixos e imprime a mesma qualidade e elegância vista nas demais faixas. É claro que também segue uma proposta própria, sendo conduzida quase que só pela Orquestra.

No fim das contas, Descender encanta mais pela instrumentação bem orquestrada, do que pela parte lírica ou experimental desenvolvida por Andrew. Ainda que o músico traga boas referências e estilos à sua mistura, o resultado se torna algo instável e profundamente errático – talvez a economia seja um fator importante para as próximas obras de Wyatt.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts