Resenhas

Angel Olsen – Burn Your Fire For No Witness

Boa produção traz o amor adverso num universo introvertido e Folk

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Ano: 2014
Selo: Jagjaguwar
# Faixas: 11
Estilos: Folk, Folk Rock, Freak Folk, Acústico
Duração: 44:26
Nota: 3.5
Produção: John Cogleton
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fburn-your-fire-for-no-witness%2Fid738001888%3Fuo%3D4%26partnerId%3D2003

O combustível principal para as variadas composições de Angel Olsen é o amor. Tendo ele como base, a cantora original de Missouri explorou de diferentes formas a temática em seus trabalhos de estreia, tanto o EP Strange Cacti (2011) quanto o primeiro álbum em 2013, Half Way Home, explorando aqui e ali e acertando aos poucos através de singles pontuais. Agora vinculada ao novo selo Jagjaguwar, Angel conta com o apoio de uma produção mais assertiva e discorre seu segundo disco Burn Your Fire For No Witness com um ideal próximo ao de um romance moderno, com pontos marcantes que vão direto as boas lembranças de uma relação chegando até no desgaste da rotina, seguindo uma linearidade em seu arranjo que situa o ouvinte para este caminho.

O combo certeiro de Unfucktheworld, Forgiven/Forgotten e Hi-Five abrem o disco já mostrando o melhor de Olsen e incentivando a continuidade da audição, se situando facilmente como os singles principais do registro. Sendo que cada uma faixas se estendem por menos de três minutos, a compositora brada entre o Lo-Fi e o Folk Rock bem produzido numa confusão de seus sentimentos. Dividindo-se entre o ódio e a paixão descontrolada, o Rock dançante e confessional une-se a timbres vocais que se sustentam sem errar, mesmo variando entre graves e agudos, entre o inocente e o sisudo, as músicas trazem um bom apelo Pop.

Aos interessados por sonoridades encontradas em trabalhos comos os de Marika Hackman, Daughter e até mesmo Lady Lamb and The Beekeeper, a musicista transita pelo mesmo universo dos já conhecidos nomes. Permeada por características introvertidas sem sair do Folk, a estadunidense consegue transportar seu público para o lugar que deseja: Seu conto romântico particular, que depois da segunda metade do trabalho compartilha seu lado ainda mais obscuro e linear. Em White Fire, riffs de guitarra se mantém em repetição por toda a canção. A pisada no freio nos ritmos também acontece, abrindo espaço para baladas que devem conquistar adeptos em karaokês do gênero Country mundo afora por músicas como Lights Out e a derradeira Windows, carregadas de sentimento de culpa e conflitos amorosos.

Na contramão de hitmakers como Mumford & Sons, que contagiam pela efervescência, e as rápidas batidas de banjo ou do grande coletivo de atmosfera hippie de Edward Sharpe & The Magnetic Zeros, regado de canções positivas, Angel Olsen mostra que o amor também pode ser cantado de uma maneira adversa, melancólica e até mesmo acabar sem motivos. O registro vem como um grande passo na evolução de Angel Olsen desde 2011 com seu primeiro compacto, devendo conquistar ainda mais adeptos no decorrer de 2014.

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Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.