Resenhas

Animal Collective – Centipede Hz

Nono disco da banda é um bom “Animal Collective” e muito mais acessível que seus antecessores

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Ano: 2012
Selo: Domino
# Faixas: 11
Estilos: Neo Psicodélico, Experimental
Duração: 55:43
Nota: 4.0
Produção: Animal Collective, Ben Allen

Centipede Hz é o nono álbum do Animal Collective, que já fez muita coisa em seus quase dez anos de carreira. Mas foi somente em 2009, com o Merriweather Post Pavilion que a banda alcançou sucesso de verdade – esse disco é considerado por muitos a obra-prima do quarteto e o responsável por trazer toda sua excentricidade de uma forma mais acessível, branda e, até mesmo, Pop. De certo, não se trata de um Pop radiofônico, mas ele deu uma sacudida na forma de se enxergar a intersecção entre a música experimental e a que toca nas rádios. Então, é claro que a expectativa para o próximo lançamento seria grande e que muita gente estaria interessada em ver qual o próximo passo do grupo. Ele demorou, mas finalmente chegou e posso dizer que esse foi um bem maior que o dado no trabalho anterior.

Como uma espécie de transmissão de rádio, Centipede Hz tem uma serie de interferências e chiados ocasionais que ajudam a passar essa ideia – o próprio álbum foi transmitido pela primeira vez em uma estação on line criada pela banda. A primeira faixa, Moonjock, transmite muito bem a sensação de se estar sintonizando ou mexendo em um dial, em uma música expansiva e cheia de mudanças bruscas. “This Is The News” são as primeiras palavras ditas pelo “locutor” que após isso anuncia o começo da obra com uma contagem regressiva.

Se você conhece o quarteto por suas excentricidades ou por seus trabalhos prévios, pode se espantar bastante com esse disco. Ele se mostra muito mais acessível do que qualquer outro que o grupo já fez, mostrando-se mais coeso, simples e melhor construído, tanto sonora quanto liricamente. Independente de qualquer comparação com algum outro álbum da banda que você já tenha ouvido, vai encontrar aqui melodias densas e agressivas, envoltas por uma boa camada de experimentação eletrônica e percussiva.

Uma grande diferença em Centipede Hz é o retorno de Deakin (Josh Dibb) e, com ele, a guitarra que volta à cena. O acréscimo do instrumento deu ao disco uma sonoridade mais rica, que não apostou só nas experimentações eletrônicas, como seu antecessor. Outro fator importante aqui, se não o maior, é que o grupo pensou, desde o início, em como o álbum soaria nos palcos. Voltando as suas raízes, em que todas as músicas eram gravadas por todos os membros em um mesmo recinto, e não separadamente (como os três trabalhos anteriores). O quarteto encontra aí a chave para fazê-lo soar mais orgânico e mais preparado para as apresentações ao vivo.

A escolha de um primeiro single é sempre difícil, ainda mais se tratando do Animal Collective e seu som bem viajado, e Today’s Supernatural parece ter sido uma escolha certa. A música tem muitos dos elementos que irão aparecer no decorrer do disco, além de possuir grande energia e uma empatia como poucas outras no álbum tem. Mercury Man também carrega esta acessibilidade maior, tendo uma das melhores melodias e uma das letras mais imaginativas deste trabalho.

Mas esse não seria um disco do Animal Collective sem as suas estranhezas – elas continuam presentes, seja nas camadas eletrônicas dissonantes ou nas eventuais cacofonias. A já citada Moonjock é uma dessas que apresenta um pouco dessa excentricidade, mesclando momentos mais calmos e etéreos com experimentações eletrônicas pesadas e uma percussão processada, o que cria um clima claustrofóbico e que vem acompanhado Avey Tare, que nesta música passa a mesma sensação. Wide Eyed é outra canção que segue uma linha não muito comum. Cheia de sintetizadores, loops, percussão tribal e com um vocal processado, a densa música traz a mesma sensação de estranheza ao se olhar pela primeira vez a capa do álbum.

Esse pode não ser o disco do Animal Collective que mais vai fazer sucesso ou que mais vai mostrar o quarteto ao mundo (já que Merriweather Post Pavilion fez este trabalho). Mas, a meu ver, Centipede Hz, é uma obra que consegue superar sua antecessora em trazer músicas mais acessíveis, mantendo o mesmo tom experimental que sempre existiu no grupo. Se você ainda não a conhecia, esta pode ser uma ótima porta de entrada para que passe a se interessar mais pelo som da banda.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts