Resenhas

Antemasque – Antemasque

Cedric Bixler-Zavala e Omar Rodriguez-Lopez mudam o rumo de sua música e surpreendem com a qualidade do novo projeto

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Ano: 2014
Selo: Nadie Sound
# Faixas: 10
Estilos: Rock Alternativo, Avant-Garde Prog-Punk, Rock Progressivo
Duração: 35'
Nota: 4.0
Produção: Omar Rodriguez-Lopez

Se Omar Rodríguez-López e Cedric Bixler-Zavala sempre foram conhecidos por seus projetos mais experimentais – e não é difícil argumentar a favor disso, tendo em vista que o duo já esteve junto antes em bandas como At the Drive-In e The Mars Volta -, agora a dupla parece ir para um caminho mais “comum”. Veja que este é um adjetivo que nunca caberá perfeitamente para descrever a música feita pelo duo, mas cabe aqui na tentativa de explicar o som mais econômico que Antemasque desenvolve.

O álbum autointitulado surge pouco depois de Noctourniquet, derradeira obra de TMV, e do fim da própria banda – que acabou por conta de uma briga entre seus membros fundadores. O anuncio desse novo grupo depois de tão pouco tempo surpreendeu muita gente, mas nada mais normal do que dois amigos, que fizeram música juntos por mais de duas décadas, seguirem em frente com um novo projeto. O mais surpreendente – ou, na verdade, nada surpreendente – é o quanto a dupla se sente confortável nestes novos moldes e quanto completam musicalmente um ao outro.

Sobre a sonoridae de Antemasque, Cedric comentou em uma entrevista que é “como se The Mars Volta e At the Drive-In tivessem um filho”. O que faz sentido ao perceber a musicalidade mais direta ao ponto de ATDI e os ecos psicodélicos e progressivos de TMV. Ainda assim, o que é visto nesse álbum é bem novo para os fãs da dupla, algo, eu diria, até mais “Pop” – se é que se pode dizer isso de qualquer coisa que a dupla já produziu. Esse Pop está mais no sentido de seguir fórmulas de verso/refrão, de limpar os solos gigantescos e trazer riffs mais pegajosos e melodias menos abstratas e grandiosas. O efeito dessa limpeza gera um resultado conciso, roqueiro, abrasivo. No geral, um álbum mais acessível.

Além da dupla, o baterista David Elitch (que já tocou anteriormente com TMV) completa o time fixo da banda. O baixista Flea (membro do Red Hot Chili Peppers), que tocaria apenas em algumas faixas, estendeu sua participação para o álbum todo graças à reação dos fãs que encorajaram o quarteto depois do lançamento de 4AM. Se os dois (baixo e bateria) trazem sua marca registrada ao álbum, Cedric e Omar se encarregam por trazer novidades. Bixler-Zavala mostra um vocal mais forte e balanceado (longe dos extremos que apresentava em suas outras duas bandas) e Rodríguez-López improvisa menos e deixa sua guitarra menos “extravagante” (talvez a única coisa boa que Bosnian Rainbows tenha ensinado ao músico).

Mais contido, como se a vontade de fazer solos grandiosos e letras psicodélicas fosse domada, o grupo consegue criar faixas de grande acessibilidade – ainda que um título como “Avant-Garde Prog-Punk” possa assustar o ouvinte. Mesmo em músicas mais urgentes, como 4AM, I Got No Remorse e In The Lurch, o som se desenvolve de forma a não assustar o ouvinte comum e até mesmo parece emprestar algo do Punk e Rock Clássico para crescer.

Outro ponto positivo a favor do álbum é que ele contempla uma série de elementos e humores bem diferentes, com canções como Momento Mori pegando um pouco das guitarras de The Police, Providence trazendo um clima mais sombrio e sintetizado (algo que parece ter saído de Noctourniquet) e Drown All Your Witches criando algo à la Led Zeppelin. Infelizmente o disco tem também seus pontos baixos e o mais raso que ele chega é com a música 50,000 Kilowatts, uma das mais inexpressivas já produzidas pela dupla.

Mesmo com maior simplicidade, Antemasque é o trabalho mais engenhoso da dupla desde The Bedlam in Goliath (lançado pelo TMV em 2008) e prova mais uma vez que mesmo com mudanças significativas, esses veteranos sabem fazer música boa. E se “acessibilidade” e “facilidade” são as palavras da vez, vale a pena lembrar que trata-se de Omar Rodríguez-López e Cedric Bixler-Zavala fazendo música juntos e suas peculiaridades sempre estarão presentes, seja qual for o projeto ou sua proposta.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts