Resenhas

Antiprisma – Antiprisma

EP do duo brinca com referências Folk e Psicodélicas, criando uma obra agradável

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Ano: 2014
Selo: Mono. Tune Records
# Faixas: 4
Estilos: Folk,
Duração: 13:53
Nota: 3.5
Produção: Filipe Consolini

Você sabe que não vai lidar com um Folk padrão do interior quando vê uma capa como a do novo EP de Antiprisma. Para falar a verdade, o animal fotografado na arte gráfica representa quem escuta o disco. Não que eu esteja chamando os possíveis ouvintes de burros, mas a situação na qual o animal se encontra representada parece ser uma aproximação exata de nossas sensações. Acha que viajei? É porque você não escutou o EP ainda.

Estamos em completo contato com a natureza neste registro. O trabalho que Elisa Moreira e Victor José fazem com as camadas de instrumentos que se sobrepõem e, ao mesmo tempo, se harmonizam e misturam acaba brincando com sinestesias que evocam paisagens naturais quase que instantaneamente, seja uma floresta, um córrego, uma montanha, um céu etc. Você Imagina Demais mistura um violão entoando acordes de um bardo com a doce voz de Elisa, que tem uma aproximação mais Pop. Assim, uma mistura Folk e Pop nada melosa ganha espaço no EP.

O que também chama atenção na capa, e sentimos de uma forma ou outra nas músicas é a psicodelia (sopreposição verde). Às vezes, ela é feita apenas com violões hipnotizantes (Não Mantra), em outros momentos por meio das belíssimas harmonias vocais e reverberadas do duo E Não Preciso De Mais Nada e, por fim, de vez em quando ouvimos um belíssimo sintetizador ao fundo de Chuva Índigo simulando flautas características dos anos 1970. É interessante ver que tanto o Folk quando a Psicodelia são bem dosados em cada uma das quatro músicas. Em uma música estamos na serra, já na outra estamos no espaço sideral.

Em resumo, o EP serve como um exemplo comprovado de que Antiprisma é um nome para se ficar de olho e também para termos orgulho de um produto brasileiro de qualidade e bem produzido. Retomando o olhar para a capa, nunca pensei que ser chamado de burro seria uma coisa boa.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.