Resenhas

Ariel Pink & Weyes Blood: Myths 002

EP marca colaboração com intenções melhores que as canções

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Ano: 2017
Selo: Mexican Summer
# Faixas: 4
Estilos: Freak Folk, Rock Alternativo, Folk Alternativo
Duração: 14:00
Nota: 1.5
Produção: Ariel Pink

Se você está a fim de uma esquisitice musical, este EP é uma boa opção. Marcando uma nova colaboração entre Ariel Pink e a cantora Natalie Mering, que atende pelo nome de Weyes Blood, Myths 002 é composto por um quarteto de canções que misturam influências Folk fora da curva, apreço por canções sintetizas por criaturas tortas e misteriosas das sombras, além de uma aura Punk, no sentido “do it yourself” do termo. Tudo é meio tosco, meio desconfortável, não necessariamente bom, mas com uma causa nobre: o EP é parte de uma série de lançamentos em favor da Ballroom Marfa, uma escola/galeria/celeiro criativo que apóia artistas do mundo inteiro, dando força para seus trabalhos e tal. É legal a ideia.

A música, no entanto, não segue o mesmo nível da intenção. As quatro canções são hibridos de climas Folk com nuances de Eletrônica de fundo de quintal. A primeira faixa, Tears On Fire, parece que vai seguir um clima meio Senhor dos Anéis, mas é encampada por uma trovejante mistura de guitarras e vocais caricatos, que impossibilitam qualquer possibilidade de apreciação “séria” da pobre coitada melodia. Logo em seguida vem outra estranheza, Daddy, Please Give A Little Time To Me, que é conduzida pela voz operística de Natalie e se apresenta promissora, mas é finalizada a meros 1:40 minuto.

Morning After, logo depois, é uma procissão de teclado fúnebre, voz solene e violões plácidos, com pinta de pesadelo Progressivo setentista deixado de lado em alguma curva do caminho. On Another Day, a última canção, é a mais interessante, com um dueto efetivo das vozes de Ariel e Natalie e um andamento Pop Prog interessante e com registro ao vivo.

Ainda que o EP tenha esse viés colaborativo e um espírito beneficente, o conteúdo musical deixa a desejar. Melhor sorte da próxima vez.

(Myths 002 em uma música: Morning After)

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Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.