Resenhas

Austra – Habitat EP

Projeto alimenta fãs com migalhas de hits e aposta em fatia experimental da música Eletrônica

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Ano: 2014
Selo: Domino
# Faixas: 4
Estilos: Synthpop, New Wave, Eletrônica
Duração: 17:11
Nota: 3.5

O projeto Austra parece alimentar-se muito de fases. No estreante Feel It Break, a ideia era impactar com um trabalho melódico e eletrônico criado com poucos recursos. Já no segundo trabalho, Olympia, o Synthpop é levado a sério e ganha dimensões, o som encorpa e uma banda com mais integrantes foi agregada. Afinou-se ainda mais as vocalizações líricas da vocalista Katie Stelmanis, além de ter se aproximado da música orquestrada. Já em 2014, ao mesmo tempo em que Katie e os demais parecem preparados para partir para caminhos mais experimentais, o fugaz EP Habitat mostra que tudo que foi aprendido deste então também deve ser incorporado a um trabalho maior a longo prazo. Somar o aperfeiçoamento do que já se domina a novidades sonoras parece a fórmula do sucesso.

A única faixa realmente cantada por Stelmanis é a que introduz o compacto e também o nomeia. Com potencial para crescer, a música lembra muito a sonoridade de hits dos demais discos do grupo, como Home e Lose It, sendo essa a fatia do bolo que garante que, se um álbum vem por aí, ele terá um espaço reservado aos típicos Electropops melodramáticos já tão conhecidos.

Pela primeira vez, a banda apostou em duas faixas plenamente instrumentais, Doepfer e Bass Drum Dance, mostrando seu interesse por novos caminhos, apostando na percussividade e sintetizadores que passeiam livremente pelo Eletrônico Industrial, beirando ao experimentalismo e apoiando-se também na Techno. Uma novidade mostrada em sua forma mais pura em ambas faixas que praticamente se mesclam em seus somados mais de nove minutos, sendo “a primeira parte” mais densa, e a segunda mais melódica, emulando instrumentos acústicos como o acordeon.

A derradeira Hulluu é a essência de toda a suposta nova experimentação e atrevimento musical do grupo. Ao invés de apoiar-se em seus vocais prontos para uma ópera, Katie sussurra por toda a canção envolvida por uma sequência de batidas que encantariam facilmente fãs de The Knife, além de um refrão recheado de mistério (“I took your microphone, is in the river”). Some toda a experiência que mal chega aos 20 minutos e fique passando vontade do que vem por aí. Ainda que positivo, o saldo final é de migalhas musicais para os entusiastas de seu som que agora devem ficar ainda mais curiosos pelo que vem depois.

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ARTISTA: Austra

Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.