Resenhas

BADBADNOTGOOD – III

Primeiro álbum composto exclusivamente por canções próprias é marco importante na carreira do grupo

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Ano: 2014
Selo: Innovative Leisure
# Faixas: 9
Estilos: Jazz Fusion, Eletrônico, Hip-Hop, Post-Rock
Duração: 48:28
Nota: 4.0
Produção: Matthew Tavares, Chester Hansen, Alexander Sowinski, Frank Dukes
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fiii%2Fid814788884%3Fuo%3D4%26partnerId%3D2003

BADBADNOTGOOD é um nome que merece atenção no cenário atual. Seu destaque se dá, justamente, por situar-se no limiar de um estilo musical muitas vezes hermético e, por isso mesmo, transpor as barreiras em ambos os lados dos quais habita.

Antes de falar de seu lançamento mais recente, vamos voltar um pouco. Quando seu primeiro álbum, BBNG, apareceu, chamou a atenção por um motivo especial: formado por fãs de Hip-Hop, o grupo transformava as bases de algumas de suas canções favoritas (muitas vezes, samplers justamente de canções de Jazz) em versões próprias. Ou seja, reconfigurando as bases musicais para o Jazz novamente, o grupo se apropriava de suas influências, e neste terceiro momento, resgatava um universo inédito para um dos dois lados envolvidos.

A atitude de fazer parte do cenário de Hip-Hop deve ter tido uma influência importante para os garotos (e, a meu ver, essencial para a relevância do grupo, ao menos na época de seu aparecimento): jovens e sem medo dos cânones imaculados do Jazz, moldaram o estilo a seu favor, com muita categoria e habilidade, trazendo a influência dos universos que habitavam para o grupo: o já citado Hip-Hop, a Música Eletrônica, o videogame e o Post-Rock.

Enquanto seu primeiro álbum era composto quase que exclusivamente de versões (Nas e a trilha sonora de Legend of Zelda entre eles), seu segundo trabalho mostrava uma apropriação maior de canções alheias, assim como a ampliação das próprias referências. Podemos citar a ótima Limit to Your Love, na versão interpretada por James Blake, You Made Me Realise de My Bloody Valentine e o build up incrível de Flashing Lights, de Kanye West).

O estilo de Badbadnotgood foi evoluindo e amadurecendo sem pressa, progressivamente construindo sua própria faceta e, assim, chegamos finalmente a seu terceiro trabalho. III é um marco importante na carreira do grupo pois é o primeiro trabalho composto exclusivamente de canções próprias. A fórmula, como ainda é muito nova, não traz todo o vigor das versões anteriores (as canções não estão, como antes, amparadas pela nostalgia e pelo reconhecimento, por exemplo). Todavia, III é a gênese da independência do grupo que já provou sua habilidade no domínio do Jazz contemporâneo, que sem medo e com muita naturalidade mescla a Música Eletrônica e o cenário alternativo contemporâneo com a aura mágica do Fusion setentista.

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Autor:

é músico e escreve sobre arte