Resenhas

Band of Horses – Things Are Great

Sem grandes intenções de se reinventar, quinteto americano se escora no característico folk rock “garageiro” e entrega exatamente o que os fãs desejam

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Selo: BMG
# Faixas: 10
Estilos: Indie Rock, Folk Rock
Duração: 41'
Produção: Ben Bridwell e Wolfgang Zimmermann

Band of Horses chegou ao sétimo álbum sem grandes intenções de se reinventar esteticamente – que bom. Things Are Great mostra a banda norte-americana em ótima forma ao realizar aquilo que sempre se propôs a fazer, de músicas que animam com naturalidade festivas a baladas sentimentais que emocionam em larga escala. O que mais seu público poderia pedir, ainda mais em uma época tão incerta quanto esta?

Com coprodução do vocalista Ben Bridwell, o disco transita por territórios nos quais o grupo já fincou bandeira antes, trazendo aquele seu folk rock garageiro que não costuma falhar. Puxado pelos simpáticos singles “Crutch” e “In Need of Repair”, o disco nos relembra da predileção do quinteto por trabalhar melodias amigáveis, dentro de um vocabulário musical compartilhado pelo público do indie rock, que amparam versos que, no geral, apresentam grande honestidade emocional.

É difícil não perceber suas emoções se contagiando nas harmonias do refrão de “Tragedy of the Commons”, por exemplo, que faz par com outra balada logo no início do disco, “In the Hard Times”, com a potência do verso “you deserve me in the hard times” reverberando mesmo após a audição, apesar de sua letra tão simples. Isso faz parte da “magia” que a banda trabalha desde 2006, com exímia capacidade de transformar a figura de linguagem mais banal em uma letra emocionada.

Essa característica chega com força extra em “You Are Nice to Me” e uma aparente camada a mais de sinceridade e o refrão “I can’t deny it, it’s been a hell of a hard time”, vocalizando uma sensação universal em tempos pandêmicos que vai de encontro ao título Things Are Great. A faixa seguinte, “Coalinga”, combina os versos que batizam o disco com a descrição de uma viagem terrível a uma cidade pior ainda e o esclarecimento vem: nada está tão great assim, mas a banda sabe manter nossos ânimos.

“Lights” narra uma cena de investigação de um crime com a simpatia de quem canta sobre uma festa juvenil, enquanto “Ice Night We’re Having” abraça um indie rock também mais leve do que a letra sobre ainda não estar completamente bem em relação a traumas passados. “Aftermath”, uma espécie de clímax prematuro do álbum logo em sua sexta faixa, traz versos pesados e figuras de linguagem ainda mais fortes, mas aposta sua dramaticidade em um refrão sem letra.

É a elasticidade emocional de uma Band of Horses madura em um som que, se nunca é tão original, é sempre realizado com maestria. Ao apostar suas fichas em uma proporção equivalente de baladas mais tristes e faixas animadas, o quinteto entrega aos seus ouvintes o amparo sentimental que sempre prometeu e cumpriu. 10 anos depois de um primeiro show no Brasil, no Lollapalooza de 2012, as lembranças daquele pôr do sol vêm à mente em alguns momentos de Things Are Great: O mundo não é mais o mesmo, nós também não, mas Band of Horses, felizmente, sim.

(Things Are Great em uma faixa: “Crutch”)

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.