Resenhas

Band of Skulls – Sweet Sour

A impressão é a de que a banda quis fazer um álbum bem completo, mas acabou lançando uma obra muito múltipla sem coesão entre as faixas – além das composições não serem lá essas coisas, com exceção das duas últimas

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Ano: 2012
Selo: Electric Blues Recordings
# Faixas: 10
Estilos: Indie Rock, Blues Rock, Hard Rock
Duração: 38:35
Nota: 1.5
Livraria Cultura: 29535638

Ouvir Sweet Sour dá a impressão que a Band of Skulls quis fazer um álbum completo, com composições bem diversas que montassem um panorama dos subgêneros do Rock pelos quais esse trio britânico passeia em sua obra. É uma pena que isso gere uma segunda impressão, que é eles não terem conseguido criar uma boa coesão entre as faixas, ou mesmo criar músicas boas o bastante para justificar esse lançamento tão múltiplo.

Sweet Sour começa já com a canção que dá nome ao disco. É uma composição de diversos momentos, alguns deles até legais, mas que parece faltar alguma coisa – até mesmo por ter sido o single que anunciou esse lançamento. Se era algum fator mais “pop” eu não sei, mas isso a faixa seguinte, Bruises, tem de sobra, porém nela falta a energia da primeira. Elas foram agrupadas no tracklist por motivos comerciais, mas uma acaba tentando suprir a outra na sequência.

Daí vem Wanderlust, canção mais equilibrada desse início de álbum, com uns trechos bacaninhas e tal, mas sem conseguir se desvincilhar de uma certa mediocridade. Sua sucessora consegue ser um pouco mais interessante: Devil Takes Care of His Own traz uma pegada mais “das antigas”, meio de Rock Clássico, com um bom refrão e uma boa cadência. Pena que, novamente, não empolga. Ela dá espaço à baladinha Lay My Head Down, que surge bem na metade do disco – momento crucial para se estabelecer a condução da obra – e fica ali perdida, quase passando desapercebida.

You’re Not Pretty But You Got It Goin’ On é legalzinha, resgatando a vibe mais clássica e revivendo nossa esperança para as próximas faixas – o que a sequência Navigate e Hometowns, infelizmente, acaba por destruir. As duas baladas confiam demais na interpretação vocal de Emma Richardson, que acaba entregando uma performance sem muitos atrativos, enquanto o instrumental – que se esconde como coadjuvante nessa cena – não toma a frente para ajudar, como nas outras músicas.

E talvez por essa sequência de oito faixas tão medíocres e quase “jogadas” pelo disco que Lies e Close to Nowhere pareçam se destacar como as melhores. A primeira soa mais sincera na maneira com que lida com os riffs e como agrupa os versos, e até mesmo sua curta duração (2 minutos e 28 segundos) ajuda para que ela venha com uma energia mais “fresca”. E a que encerra o disco é, entre as “lentinhas”, a mais certeira, apostando em uma composição que lembra o Rock Alternativo dos anos 90, mais minimalista e com um solinho de guitarra que define bem sua ambientação.

No fim das contas, as músicas de Sweet Sour podem até agradar no meio de uma playlist caprichada ou no meio do seu shuffle se vier perto de The Kills e The Black Keys, mas não conseguem andar muito longe por si só.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.