Resenhas

banda-fôrra – Trilha

Primeiro álbum de grupo pessoense traz referências psicodélicas e ensolaradas mais enxutas

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Ano: 2018
Selo: Independente
# Faixas: 8
Estilos: Psicodelia, Indie, Pós-MPB
Duração: 29:29
Nota: 3.5
Produção: Haley Arthur e banda-fôrra

Da pluralidade de sonoridades da música brasileira até referências além mar da Psicodelia e música Experimental, banda-fôrra certamente faz jus ao termo “brasileiro” que carrega. Com um forte EP em sua história, o conjunto pessoense carrega o mérito de não apenas dosar bem o universo de referências em uma mistura elaborada, mas de conseguir retirar de cada sonoridade um sentimento específico que colabora na construção do imaginário coletivo do grupo. Agora, parte para sua primeira empreitada em um álbum completo e, com isso, surgem responsabilidades e desafios novos, tanto formalmente quanto musicalmente e o que era para ser um registro de estreia parece ter vindo de uma madura banda de longa data.

Trilha captura um momento de contração daquele amplo universo de referências – os excessos são retirados e a essência, priorizada. Este movimento é bastante natural no segundo lançamento de artistas: primeiro há esse lançamento desenfreado por várias ideias e depois, uma curadoria daquilo que faz sentido. Dessa forma, é possível uma mudança de sonoridade, priorizando uma Psicodelia leve e timbres ensolarados. Este cosmos controlado que banda-fôrra criou auxilia seus membros a terem ainda mais controle sobre aquilo que querem dizer e expressar. Portanto, ao nomear este álbum de Trilha, há um certo orgulho em atribuir a essas oito faixas a característica de “música oficial” de seus sentimentos. É como se tivéssemos muitos temas em voga (letras) sobre uma mesma cabeça (unidade sonora).

Começando com Apego, observamos aptidão do grupo em produzir essa estética ensolarada e praiana com uma letra insegura e tímida. Parceria com Arthur Vieira, é simpática mas também não ignora a influência Psicodélica de bandas como Glue Trip e Peixefante. Diz Nos Meus Olhos é clara em demonstrar a habilidade da timbragem das guitarras, abusando de pedais wah e sons estridentes. Mais Tarde Talvez, mais calma, mostra que aliado à Psicodelia presente no disco, há um interesse em sonoridades dos anos 1980, principalmente pelos sintetizadores. Por fim, Preguiçar reúne as melhores características do disco em um Indie videogamístico e ao por-do-sol que celebra a fuga da rotina e o desapego (contraponto à primeira faixa).

Rumo a direções maduras e bem produzidas, o grupo pessoense capricha nas composições fazendo um disco que soa bem tanto para novos entusiastas como para ouvintes fãs do primeiro EP. Um trabalho que ilustra o viver ao mesmo tempo que o colore.

(Trilha em uma faixa: Abril)

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BOM PARA QUEM OUVE: Cidadão Instigado, Mombojó, O Terno
ARTISTA: banda-fôrra
MARCADORES: Indie, Pós-MPB, Psicodelia

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.