Resenhas

Banda Gentileza – Nem Vamos Tocar Nesse Assunto

Segundo trabalho dos curitibanos é relevante em sua discografia, mas não tanto em um plano geral

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Ano: 2015
Selo: Independente
# Faixas: 9
Estilos: Swing, Indie Tropical, Rocl
Duração: 32:45
Nota: 3.0
Produção: Gustavo Lenza e Zé Nigro

É curioso o conceito de maturidade. É difícil conseguir entrar em um consenso sobre o que exatamente torna um disco mais maduro do que outro, principalmente por isto estar diretamente relacionado às específicas trajetórias de cada artista. Se por um lado experimentações cada vez mais complexas podem trazer este status, a simplicidade pode igualmente construir isso.

Seja qual for o caso, o que é comum é associar o nível de maturidade à qualidade de um trabalho, o que quase sempre nos impede de escutar algum trabalho bastante interessante, baseado em preconceitos apressados. Entender um disco é mais do que analisar suas músicas. É analisar o que as mensagens (sejam elas percebidas pelo instrumental ou a letra) querem nos passar, baseado nos imaginários da banda em si. É isso que vemos no novo trabalho da Banda Gentileza

Após seis anos e algumas mudanças na sua formação, a banda nos expõe uma nova etapa de sua história, sobre o nome de Nem Vamos Tocar Nesse Assunto. Os curitibanos nos mostram uma série de fatores que apresentam melhoras de destaque de suas obras passadas. Há uma produção muito mais crítica e preocupada em tirar de cada instrumento (que por sinal, são muitos) a essência e os sons capazes de ilustrarem as situações e narrativas que eles nos contam.

Também temos uma predileção em cantos de grupo, quase como se estas histórias fossem compartilhadas por um “eu-coletivo”, ao invés de serem cantadas em por uma única voz. As letras do grupo ora se comportam como crônicas (mais preocupadas em narrar eventos) ora como narrativas digressivas, como se o(s) intérprete(s) se permitisse comentar sobre aquilo que observou. Tudo isto destaca o disco.

A questão que fica é quanto isto é atrativo para alguém que não conhece a banda. Saber que esta maturidade extremamente relevante para um universo delimitado é interessante, mas há uma lacuna a ser preenchida, que torna esta experiência atrativa para qualquer tipo de ouvinte. Algo que torna este disco mais do que um capítulo interessante na obra da banda, e algo relevante na música brasileira. Seja pela pouca mudança de arranjos, ou pela mesma estética explorada pelas nove faixas, o trabalho é interessante, mas é limitado.

Vejamos o que novos trabalhos dos curitibanos poderá nos nos revelar.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.