Resenhas

Bartees Strange – Live Forever

Em um dos grandes discos de estreia de 2020, músico americano sintetiza influências diversas com foco e originalidade

 573 total views

Ano: 2020
Selo: Memory Music
# Faixas: 11
Estilos: Indie Rock, R&B
Duração: 35'
Produção: Will Yip

Apesar de Live Forever ser uma estreia, é a obra de um artista que, com seus mais de 30 anos, consegue trazer a solidez de um músico maduro e, ao mesmo tempo, o experimentalismo de um jovem. Bartees Strange cria uma colcha de retalhos de vivências e experiências que constroem um álbum diverso, tanto em temática quanto em sonoridade.

O registro é uma mostra bastante vasta das referências de um jovem artista que cresceu em uma pequena cidade no estado de Oklahoma, ao longo dos anos 2000. Há ecos de bandas como The National, Bloc Party, TV on the Radio e The Antlers, que aparecem aqui e ali como esqueleto para algo novo e original. Ele usa suas influências de maneira inteligente e particular, soando referencial o suficiente para ser reconhecível, mas nunca como cópia ou mera derivação.

O resultado dessa alquimia de referências pode ser visto já na abertura, com “Jealously”, em que o músico costura uma paisagem típica do The Antlers, com vocais atmosféricos e uma instrumentação esparsa, a partir de camadas de sintetizadores. Já em “Mustang”, ele aborda temas identitários (falando sobre negritude em um ambiente dominado por brancos) em meio a uma colagem de sonoridades roqueiras, que se aproxima de uma gama de bandas do Indie Rock dos anos 2000. Enquanto “In a Cab” traz elementos de Jazz e a dobradinha “Far” e “Fallen For You” (já quase no fim do repertório) busca inspirações no Folk, “Boomer” apresenta algo que parece vir direto de uma banda Pop Punk da mesma época.

Há ainda experimentos com Soul, Rap e R&B, como, por exemplo, em “Kelly Rowland” (homenagem à integrante do Destiny’s Child), faixa que discute novamente temas raciais (assunto pelo qual parte das canções gravitam). Aqui, Strange muda a forma de cantar, em uma entrega cadenciada e com batidas menos orgânicas. Caso também de “Flagey God” em que o músico brinca com sons mais dispersos, quase como o que The xx fez em seu álbum de estreia, em 2009.

Em Live Forever, a amplitude de referências é manejada com o talento de alguém que se encontrou no meio de tantas inspirações. Todas essas sonoridades se mesclam de forma muito natural e criam um disco amplo e rico, que surpreende o ouvinte a cada nova canção.

(Live Forever em uma faixa: “Mustang”) 

 574 total views

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts