Resenhas

Bastille – Wild World

Grupo inglês entrega segundo álbum pronto para festas de publicitários

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Ano: 2016
Selo: EMI
# Faixas: 14
Estilos: Pop, Pop Alternativo
Duração: 49:41
Nota: 1.0
Produção: Dan Smith

Wild World, o novo trabalho do grupo inglês Bastille, dá prosseguimento ao Pop asséptico que o consagrou há dois, três anos, quando invadiu rádios, computadores e TVs do mundo com o hit Pompeii. O que temos aqui é a fusão entre um Rock de estádio anêmico, smartphônico e marketeiro com uma gororoba eletrônica burocrática, impessoal, meramente facilitadora, feita sob medida para pessoas que não estão muito interessadas em música gritarem refrãos com muito “ôôô” numa arena qualquer. As faixas são apenas pretextos de inserção de batidas e levadas sem sal, provavelmente sendo feitas sob encomenda por um time de compositores pagos de maneira desonesta. O envolvimento com a música é zero, o desejo de fazer algo relevante que vá além do tilintar de cifrões é nulo por aqui.

Esse primeiro parágrafo foi muito duro? Talvez. Até porque sabemos que ninguém, nem os caras da banda, nem seu público, estão preocupados com a permanência de sua obra no tempo. Claro que não. Assim como o último comercial de operadora de celular ou de SUV, a música de Bastille é para consumo imediato e tem no seu viés comercial a única razão de existir. São faixas com andamento em média velocidade, bem gravadas e produzidas pelo líder da banda, Dan Smith. O cara tem capacidade de fazer algo melhor, mas, por quê ele faria isso? Suas canções atingem alta rotação em paradas de sucesso, encantam meninas e meninos bonitinhos e moderníssimos ao redor do planeta, então, se este objetivo foi alcançado, por que mudar? Sim, por quê? Seria demais esperar que, até mesmo artistas ultrapop, falando de amenidades white people problems, deveriam ter alguma, um tico, um traço de profundidade em suas criações?

Não, não parece o caso de Bastille. O quarteto de Londres repete esta fórmula em faixas mais rapidinhas ou em arremedos de baladas. Vejo que Good Grief, o primeiro single deste trabalho, já ultrapassou as 35 milhões de execuções no Spotify. O problema deve, claro, ser o crítico musical. Por que, ora, se um contingente equivalente à população do Canadá ouve essas musiquetas, elas não podem estar erradas. Alguns momentos deste álbum fazem formações correlatas – e igualmente diluídas, insossas e anódinas – como Imagine Dragons parecerem The Who.

Você certamente é jovem e tem um futuro pela frente. Não dá pra pensar em alguém em sua segunda década de vida, com o mínimo de batismo de fogo por parte da vida, minimamente interessado nisso aqui. Se for o seu caso e você está lendo a resenha deste disco aqui no Monkeybuzz, presta atenção em quanta música legal temos pra te mostrar. Vai nas outras seções do site, dá uma olhada nas matérias, nas playlists e vê o quão bacana é a produção musical de hoje. Não deixe que artistas mequetrefes e acomodados, surgidos num cenário comportamental raso e marqueteiro ocupem sua mente. Como fizeram os franceses em 14 de julho de 1789, derrube Bastille e faça sua independência dessa tirânica forma de oferecer quase nada para muitos e fazê-los acreditar que “tudo bem, é bem produzido e dançante”. Você pode e merece mais.

(Wild World em uma música: Good Grief)

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Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.