Resenhas

Bear in Heaven – Time Is Over One Day Old

Novo disco abraça todas as influências do grupo e traz visão moderna do Rock Psicodélico

 2,152 total views

Ano: 2014
Selo: Dead Oceans
# Faixas: 10
Estilos: Rock Psicodélico, Synthpop
Duração: 43:00
Nota: 3.5
Produção: Jon Philpot

Todas as influências de Bear in Heaven parecem conspirar para que seu novo disco seja um de seus melhores. Time Is Over One Day Old é um de seus trabalhos mais acessíveis logo de cara, no entanto a sua exploração nos traz facetas modernas ao grupo do Brooklyn e dificilmente vai desagradar quem gosta de Rock Psicodélico e elementos eletrônicos.

Do começo ao fim, o quarto disco da carreira da banda é uma viagem que explora como o gênero eternizado na década de 1960 pode ser revisto atualmente de uma forma distinta. Se antes a mistura entre psicodelia e Krautrock ( estilo de música alemão que misturava Rock e os primordios da música eletrônica), hoje em dia isso é possível e acessível e desta forma o Bear In Heaven vem nos provendo com pílulas lisérgicas – um som que sempre vislumbra o futuro.

No entanto, se o Rock Psicodélico se tornou popular recentemente com o alcance global de Tame Impala, tal influência aparece em momentos como a excelente The Sun And The Moon And The Stars, que foge dos sintetizadores diretos para ganhar espaço com uma guitarra lunática que leva o ouvinte para um local distante. Temos sensualidade e direção ao Funk em If I Were To Lie, mostrando que Wild Beasts tem um contraponto ao seu ótimo e melancólico Present Tense.

Nas épicas They Dream e You Don’t Need the World, podemos constatar a sua evolução em direção a apresentações grandiosas, momentos em que o som poderá se propagar de forma crescente. A primeira é intensa e, antes de explodir entra em um vórtice que puxa o ouvinte ao solo, a psicodelia é tanta que a subjetividade da faixa permite cada um interpretá-la à sua maneira – é um sonho, ilusão ou trilha-sonora de um filme de ficção? A segunda encerra o disco de forma niilisita, nada é necessário além dos elementos soprepostos para criar a grande balada do disco e o seu momento mais direto: dificilmente não contagia qualquer um que a escute.

Se a subjetividade parece coincidir com a maioria dos momentos de Time Is Over One Day Old, dizemos que este não é o seu disco mais acessível por um bom motivo: estamos diante de um de seus momentos mais experimentais e modernos e ainda que fácil de ser ouvido. Não é simples entender cada faixa do disco, mas a sua recompensa é certeira – como Demons, música sintética crescente e muito bem produzida que traz ainda mais barulho à voz e ao sintetizador de John Philpot. No entanto, se o instrumento eletrônico é o coração, quem conduz o grupo é o baterista Joe Stickney – a cola que o instrumentista coloca em cada canção une todos os elementos através de seu groove viciante em um dos grande discos de Rock contempôraneo do ano.

 2,153 total views

BOM PARA QUEM OUVE: Temples, MGMT, Wild Beasts

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.