Resenhas

Bells Atlas – Bells Atlas

Disco de estreia do quarteto californiano mostra grande versatilidade ao se apropriar de diferentes culturas, incluindo a nossa e africana em faixas que ainda trazem temperos do Soul, Jazz e R&B

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Ano: 2013
Selo: Independente
# Faixas: 11
Estilos: Samba, Neo Soul, World Music, Indie
Duração: 41:41
Nota: 4.0
Produção: Bells Atlas, Carlos Arredondo
SoundCloud: /tracks/97415496
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fbells-atlas%2Fid6623

Entre muitas coisas, a música de nosso país é conhecida por amalgamar diversos estilos e coloca-los para brincar em um terreno onde a criatividade os deixa interagir sem preconceitos e barreiras. A partir disso muitos gêneros já foram criados e marcaram nossa música e é claro que alguns deles também foram exportados e fizeram grande sucesso por onde quer que passassem. Como se não bastasse fazer sucesso, nossa música também tem influenciado inúmeras bandas ao redor do globo, não só a se inspirar em um ou outro gênero tipicamente brasileiro, mas também a criar, da mesma forma que fazemos, música nova a partir dessas aglutinações e junções.

O quarteto californiano Bells Altas soube se apropriar disso de maneira ímpar e partir do Samba, Hip-Hop, Jazz, R&B e Soul criou o que chama de “Afro-Indie Soul” – e cada uma das tags desse neologismo estilístico irá se tornar clara ao ouvinte conforme o disco vai apresentando suas faixas. O resultado é um som altamente hipnótico, vibrante e contagiante que brinca ainda com tendências do Indie Pop no intuito de o deixar ainda mais leve e palatável. Soando incrivelmente orgânico, seu primeiro álbum, homônimo, brinca com tudo isso de forma muito sutil e cheia de personalidade – e isso se deve principalmente à lírica e condução vocal e percussiva da vocalista Sandra Lawson-Ndu.

Se no EP que antecipou este álbum já podemos notar grande parte da exuberante sonoridade do quarteto, aqui podemos ver essa cativante mistura tomar outras formas e se enveredar por novos terrenos. Se aquelas três faixas impressionavam pela qualidade, o disco impressiona mais ainda por manter a mesma excelência em mais oito faixas inéditas. Outro fator que chama a atenção é a versatilidade do Bells Atlas na hora de se aproximar desse ou daquele estilo e ainda assim manter grande unidade e coesão entre as faixas.

Cheio de espontaneidade e apelo Pop, o disco é aberto com Loving You Down, mostrando um meio termo entre as batidas étnicas e teor Soul – uma ótima escolha, pois apresenta muito da musicalidade do quarteto. Na sequência, Dit Dit desacelera e aposta em algo mais leve (próximo do R&B) e repleto de harmonias vocais de Sandra (no que pode lembrar em alguns momentos, faixas da Laura Mvula). Já a ótima Incessant Noise se apega ao Samba e com sua percussão comedida (usando surdos, caixas e repiques) traça grandes paralelos com a música feita em nosso país, porém usando estes elementos tão comuns para nós de forma que muitos brasileiros não sabem fazer.

A partir daí, essa mesma versatilidade vista nestas três faixas se repetem nas demais. Jyeah junta uma percussão étnica ao vocal bem Pop; Capabe People embarca em um clima oitentista, porém sem os exageros típicos da época, e mostra uma dobradinha de vocais entre Sandra e do baixista Doug Stuart; Video Star traz grande sensualidade com seu vocal sussurrado e batidas discretas; Kazoo mais uma vez aposta em batidas ritmadas e calmas e uma levada gostosa que fecha muito bem o álbum do estreia do quarteto. Não diria que a qualidade deste disco é surpreendente (visto o primeiro contato com EP), mas certamente tira qualquer dúvida de quem achava que somente os singles iriam segurar toda obra.

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BOM PARA QUEM OUVE: Goat, Otto, Trails and Ways
ARTISTA: Bells Atlas

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts