Resenhas

Bibio – Silver Wilkinson

Stephen Wilkinson experimenta mais uma vez usando os mesmos elementos já testados em sua obras anteriores e refina ainda mais a produção e o teor Pop de sua música

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Ano: 2013
Selo: Warp
# Faixas: 11
Estilos: Folk Eletrônico, Folk, Eletrônico
Duração: 48:52
Nota: 3.5
Produção: Stephen James Wilkinson
SoundCloud: /tracks/82146349
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fsilver-wilkinson%2Fi

Bibio é projeto do músico e produtor (e, sobretudo experimentalista) Stephen Wilkinson, que chega ao seu sétimo disco em pouco mais de oito anos. Com uma bagagem considerável e muitos terrenos explorados ao longo de quase uma década, o músico confortavelmente transita entre o acústico e eletrônico, buscando em cada um destes extremos um novo ponto para continuar suas experimentações testadas durante todo este tempo.

Silver Wilkinson traz arranjos delicados e muito bem trabalhados sobrepostos em harmonias eletrônicas e texturas etéreas que podem em vários momentos remeter ao trabalho de Boards of Canada, Baths e Múm. Consideravelmente menos eclético que seus antecessores, este álbum se mostra mais comportado, trazendo mais referências aos estilos que o músico brincava no começo de sua carreira (principalmente o encontro do Folk com a Música Eletrônica). Ainda que comportado, o disco está longe de estar confinado em fórmulas pré-estabelecidas – afinal, Bibio construiu toda sua carreira baseada em suas experimentações e com este novo lançamento não seria diferente.

Voltando às suas bases, Wilkinson cria mais uma vez o visceral misto entre o violão dedilhado, os belos ornamentos eletrônicos e dos sintetizadores que preenchem o som de seu instrumento. Inevitavelmente bucólico, grande parte do álbum se concentra em explorar paisagens quase inóspitas da Ambient Music. A beleza destas faixas (The First Daffodils, Wulf e Sycamore Silhouetting) residem em sua simplicidade e resiliência. Elas parecem pincelar lentamente formas e cores dispersas em uma tela que se mantém quase inalterada durante toda sua extensão.

Canções como Dye the Water Green, Mirroring All, Raincoat e You Won’t Remenber… trazem a marca registrada do músico ao álbum. Elas se apoiam em voz e violão (parte Folk) e nos arranjos e texturas eletrônicas para gerar o que muitos chamam de Folkatronica. Nomenclaturas a parte, estas faixas, ainda que, muito belas são de certa forma muito parecidas entre si e com produções passadas de Wilkinson – possuindo o diferencial do menor contorno Lo-Fi nestas.

Se por um lado há o resgate ao passado, há também o olhar para futuro, a busca pela consagração Pop – um caminho que mesmo testado na tríade de discos em 2009, fase em que o músico experimentava com o Hip-Hop, aqui ela se faz mais presente e de maneira ainda mais incisiva. O principal exemplo disto reside no single À Tout a L’heure. Sem dúvida alguma a canção é a que mais se sobressai em todo o álbum, apresentado todos os elementos que o músico geralmente utiliza, potencializados de maneira radiofônica – as leves e insistentes batidas, a melódica tríade de cordas (violão, baixo e violino) e os sintetizadores se encontram de uma maneira única.

Ainda nessa roupagem Pop, mas longe de repetir o feito extraordinário desse single, You brinca com a Música Eletrônica e com o R&B, descategorizando a vibe Folk de Silver Wilkinson – tanto que ela se encaixaria perfeitamente em obras de novos produtores como Flume ou SBTRKT. Look at Orion! e Business Park continuam nessa levada sintetizada e nada orgânica, trazendo um ponto conflitante ao fim do disco – porém, algo perfeitamente inteligível para um músico que se propõem a experimentar, mas que fica estranho ao ouvinte. Longe de ser considerado um deslize. Estas faixas empolgam na medida certa, mesmo que fujam da proposta ouvida durante todo o álbum.

Bibio – À tout a l’heure

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ARTISTA: Bibio

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts