Resenhas

Big Noble – First Light

Projeto solo de guitarrista de Interpol surpreende pela sensibilidade e produção

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Ano: 2015
# Faixas: 10
Estilos: Ambient Music, Drone, Post-Rock
Duração: 40:23
Nota: 3.5
Produção: Daniel Kessler and Joseph Fraioli
Itunes: https://itunes.apple.com/us/album/first-light/id937763498?uo=4

Encarar um projeto solo de algum membro de banda é como uma dissecação: Você isola o orgão que será estudado e, a partir disso, entende seu posicionamento e função diante do corpo maior. Entretanto, quando observado isoladamente, é possível analisar suas características próprias, algo que quando inserido no sistema mais amplo se perde no meio de tantos outros orgãos. Esta metáfora médica cai como uma luva quando o assunto é Big Noble, o interessante projeto solo de Daniel Kessler, guitarrista da banda Interpol. Aqui, temos uma compreensão muito maior do músico como célula de um dos maiores representantes do Post-Punk Revival, assim como uma análise mais profunda das influências de Daniel.

Aliado ao sound designer Joseph Fraioli, Daniel mostra aqui uma dinâmica curiosa. As dez faixas evocam em certos momentos as linhas de guitarras fúnebres e características da obra prima de Interpol, Turn On The Bright Lights. Entretanto, em nenhum momento é sugerido que este disco é um desdobramento de sua banda principal, pois temos aqui uma experência sensorial que circunda as esferas da Ambient Music e do Post-Rock, tornando estes a principal atração do disco. Estamos diante de uma mistura que, ao mesmo tempo que mostra a contribuição de Daniel para Interpol, apresenta uma nova perspectiva para sua identidade musical (fato que é extremamente auxiliado pelo talento de Joseph Fraioli).

Como temos aqui uma proposta sensorial e ambientadora, este é um registro extremamente fácil de se escutar em uma sentada só. Vemos ótimos exemplo de como a engenharia de som de Joseph e o talento musical de Daniel se aliam para criar ótimas faixas. Pedal, Atlantic Din e Stay Gold são momentos interessantes da obra, embora o intuito aqui não seja separá-las, mas sim, encará-las como parcelas de um todo extremamente bem produzido e etéreo. São quarenta minutos que, embora sejam divididos, passaram rapidamente e criaram um universo único na mente do ouvinte.

Daniel Kessler se mantém em sua zona de conforto, mas ao mesmo tempo adentra em um novo universo. Um disco fluido com um proposta simples e objetiva, que não por isso o torna pior. Indicado para fãs de Interpol (obviamente), mas que pode ser apreciado por uma gama de entusiastas de Ambient Music ou Post-Rock.

Uma engenharia bem trabalhado, gerando um universo confortável tanto a Daniel quando a Jospeh.

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BOM PARA QUEM OUVE: The Haxan Cloak
ARTISTA: Big Noble

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.