Resenhas

Big Ups – Eighteen Hours of Static

Ano: 2014
Selo: Dead Labour
# Faixas: 11
Estilos: Post-Hardcore
Duração: 27:50
Nota: 4.0
Produção: Big Ups, Amar Lal
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fgoes-black-single%2F

Big Ups, o quarteto novaiorquino de Post-Hardcore, após a distribuição de alguns singles e EPs lançados sazonalmente desde 2010, acerta a mão no início deste ano e chega com tudo em seu primeiro álbum completo, intitulado Eighteen Hours of Static, apostando fortemente em temáticas existenciais.

O sucesso do lançamento está amparado pelo fato consumado de que a música dos anos 90 voltou. Embora os estilos que foram os grandes expoentes da época nunca tenham deixado de existir, faz alguns anos que estamos percebendo os sintomas de um revival em ebulição, nos quais constam, por exemplo, o reaparecimento de grandes nomes daquela época, até o cenário favorável que está trazendo o Emocore “de raiz” novamente aos holofotes e, consequentemente, o Hardcore ao protagonismo de um cenário alternativo específico.

Big Ups faz uso do que sempre houve de melhor no gênero, adotando um tom realista levemente tensionado ao pessimismo em suas letras: certa insatisfação agressiva, uma rebeldia diante das frustrações da vida, uma ironia sarcástica em relação à sociedade, o medo do amadurecimento e até o recurso à espiritualidade como solução da angústia psicológica (embora, no caso de Big Ups se manifeste como uma espécia de anti-religiosidade, como em Atheist Self-Help, que clama a responsabilidade pessoal diante das consequências da vida), enfim, temáticas que tentam abarcar o quadro geral da existência humana em territórios genéricos como a “verdade” ou a “realidade”.

Com um grande potencial energético em suas apresentações ao vivo que vem chamando a atenção, o grupo não se apoia no pastiche de riffs grudentos de guitarra distorcidas, senão na temática e na própria atmosfera da musica em si como fator diferencial. Afinal, o que há de melhor na sonoridade do grupo diz respeito à abertura a outros estilos de Rock (conquanto sejam estes suficientemente agressivos). Embora suas raízes estejam no Hardcore do final dos anos 80 e início dos 90, tornando mais fácil de situar sua música como Post-Hardcore, seu “pós” tem muito de “old school”. É clara a presença de elementos dissonantes de uma barulheira à la Sonic Youth, o tom declamatório incisivo muito próximo de Frank Black do Pixies (o timbre da voz de Joe Galarraga pode ser facilmente confundida com a do anterior na faixa de abertura do disco, Body Parts), o niilismo Punk dos Dead Kennedys e até mesmo o viés sociológico, por exemplo, dos Minor Threat.

Emotivo, agressivo e amparado por um cenário mais do que favorável: Big Ups tem uma excelente estreia e promete figurar entre os seus favoritos do estilo em 2014.

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BOM PARA QUEM OUVE: Minor Threat, Dead Kennedys, Fugazi
ARTISTA: Big Ups
MARCADORES: Ouça, Post-Hardcore

Autor:

é músico e escreve sobre arte