Resenhas

Björk – Biophilia

A islandesa produz mais uma obra conceitual, desta vez celebrando a vida e a natureza em suas mais diversas formas. Para isso, ela aproveitou o iPad para testar novas maneiras de gravação e também na divulgação, com apps especiais

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Ano: 2011
Selo: One Little Indian, Polydor
# Faixas: 10
Estilos: Experimental, Eletrônico, Freak Pop
Duração: 49:30
Nota: 3.0
Produção: Björk
Livraria Cultura: 22939021

Dizer que Björk lançou um disco conceitual chega a ser redundante, já que todos os seus trabalhos possuem ambientações próprias, ainda que eles compartilhem da mesma vibe meio experimental, meio freak pop característica da islandesa.

Em Biophilia, ela decidiu trabalhar temas que cercam a vida em seu sentido mais amplo, seja o que ocorre dentro de uma célula, ou como as leis naturais afetam o universo. Essa celebração da natureza poderia ser tratada por alguns com, por exemplo, o uso de instrumentos acústicos, algo mais orgânico, mas ela preferiu compor usando principalmente um iPad.

Isso influenciou também a maneira com que o trabalho fosse lançado. Em parceria com a Apple, foram desenvolvidos apps para a plataforma, um para cada faixa do disco, que além de mostrar as novas canções, permitiam que o usuário interagisse com elas, interferindo no resultado final.

Mesmo quem não está familiarizado com sua obra, provavelmente conhece a “aura” em volta de Björk, considerada “gênia” por muitos devido a um certo grau de erudição que suas músicas às vezes alcançam. Biophilia não faz diferente, sempre pautado pelo ponto alto da cantora, que é sua interpretação vocal – sempre o elemento em maior destaque nas canções.

Moon abre o álbum relembrando cada uma dessas caracteristicas, criando uma atmosfera etérea que se estende por todas as faixas – no geral, lentas, mas que passeiam por diferentes sensações em uma continuidade coesa. A sequência Cosmogony, Dark Matter e Hollow pode parecer um pouco dark demais, assim como a segunda faixa, Thunderbolt. Em meio a essas, a beleza dos singles Crystalline e Virus fica ainda mais evidente, despertando sorrisos em quem já as ouvia fora do disco, mas quebrando o clima na medida certa em seu misto de leveza e complexidade.

Perto de seu fim, o disco ganha novo fôlego com Sacrifice e Mutual Core, duas faixas com percussão mais marcante, que culminam no desfecho com a bela Solstice. É uma obra que dá continuidade ao trabalho que Björk vem desenvolvendo em sua discografia, mas deve ficar confinado ao seu público de sempre, sem grandes atrativos para novos fãs, até mesmo por não oferecer muita novidade aos ouvintes – com exceção dos que possuem um iPad.

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BOM PARA QUEM OUVE: tUnE-yArDs, Sigur Rós, M83
ARTISTA: Björk

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.