Resenhas

Black Lips – Underneath The Rainbow

Grupo aposta no que sabe fazer, desta vez temperado com a sonoridade de The Black Keys

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Ano: 2014
Selo: Vice Records
# Faixas: 12
Estilos: Southern Rock, Punk
Duração: 34:07
Nota: 2.5
Produção: Patrick Carney
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Funderneath-rainbow-bonus-track%2Fid797354503%3Fuo%3D4%26partnerId%3D2003

Pouco mais de dez anos separam Black Lips de seu álbum de estreia e, mesmo assim, parece que existe algo na gênese do seu modo de fazer música que os mantém, para o bem ou para o mal, habitando o mesmo universo desde sempre. Assim, embora a maturidade do tempo de jornada do grupo possa deixar sem sentido os temas que insistem em cantar, resiste latente, de algum modo, o frescor da rebeldia juvenil que os impulsiona.

Com uma espécie de humor grotesco quase incômodo, os malditos auto-proclamados (vide o nome do grupo) dos Black Lips atingem em Underneath the Rainbow um Southern Rock de viés Punk, cheio de riffs arenosos, trejeitos (como o sotaque de alguns vocais, por exemplo), de sonoridade ardida e irônica, recheada de uma anarquia descompromissada que lembra muitas vezes a herança de Toy Dolls.

Assuntos como rebeldia e drogas, cantados num estilo estilo Lo-Fi (por assim dizer), sujo e propositalmente mal acabado, estão engessados desde sempre na temática de Black Lips. A diferença, agora em Underneath The Rainbow, é o tempero de Patrick Carney, que transforma o mesmo de Black Lips num primo sonoro de The Black Keys, deixando o som empolgante a seu modo, ideal para animar o espírito do mosh pit. Assim, a despretensão é o pressuposto ideal para a diversão da música de Black Lips (desafio os fãs do estilo a ficarem parados no refrão de Funny, Dorner Party ou mesmo Waiting).

Ainda sobre o tema das heranças (não que essa seja a tônica deste trabalho, é bastante fácil de identificar as particularidades exclusivas do grupo no seu modo de fazer música), é impressionante como as referências a Ramones sobrevivem em quase todas as bandas que continuam a militar pelo estilo (arestas das fórmulas do quarteto novaiorquino podem ser detectadas em muitos exemplos atuais). No caso de Underneath the Rainbow, podemos encontrar na levada de bateria e no riff de introdução de Make You Mine a homenagem justa.

Infelizmente, o engessamento e a segurança da falta de compromisso de Black Lips é o grande ponto fraco do álbum. Embora possa render alguns refrões interessantes, não chama muito a atenção com sua rebeldia forçada, quase exagerada, e temas que não correspondem ao universo real de seus integrantes, que chega a ser anacrônico. Por exemplo, o clima violento e pesado do clipe de Boys in the Wood, acima (que canta, aliás, “ain’t nobody fooling around”), não corresponde ao restante do trabalho, e contém a imagem que tanto desejam passar, mas que não remete ao que de fato parecem ser.

Seguindo a mesma linha de seus trabalhos anteriores, Black Lips continua firme em sua longa carreira e, apesar de não trazer nenhuma novidade ao som do grupo, deve agradar aos fãs.

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BOM PARA QUEM OUVE: The Sonics, Toy Dolls, The Black Keys
ARTISTA: Black Lips
MARCADORES: Punk, Southern Rock

Autor:

é músico e escreve sobre arte