Resenhas

Black Moth Super Rainbow – Cobra Juicy

Apostando em muitos sintetizadores, efeitos na voz e batidas contagiantes, o disco que tem uma aparência freak e dançante não tem muito mais o que mostrar

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Ano: 2012
Selo: Rad Cult
# Faixas: 11
Estilos: Synthpop, Neo Psicodélico, Experimental
Duração: 39:00
Nota: 2.5

O coletivo da Pennsylvania Black Moth Super Rainbow, que é conhecido pela sua sonoridade freak com tendências dançantes e psicodélicas, ao longo de seus quase dez anos de carreira, foi melhorando a qualidade de suas gravações e tirando a estética Lo-Fi de sua receita, mas mantendo muitos outros estilos e sonoridades com os quais o grupo geralmente brinca. Se apoiando no uso pesado de sintetizadores, muitos efeitos na voz, batidas eletrônicas e alguns outros instrumentos de apoio, o grupo cria o que parece o encontro entre alguma banda de Synthpop vindo dos anos 80 com um representante da Nova Psicodelia.

O conceito de Cobra Juicy e, por que não, da banda pode ser explicado o comparando com a montagem de um prato. Existem elementos que são realmente importantes, outros que estão lá por serem saborosos e há também os que estão ali somente para deixa-lo esteticamente chamativo. Synthpop e Nova Psicodelia formam uma dupla, que para o BMSR é, tão importante quanto o arroz e feijão, e são a base de sua sonoridade; a parte suculenta do prato vem com os elementos extras aos sintetizadores, como a inserção de guitarras e do baixo em algumas das faixas, mas é claro que elas aparecem com menor frequência; a parte “visual do prato” consiste nos vocais, que, infelizmente, não adicionam “sabor” a ele. Muitas vezes mal se compreende o que, o líder da banda e vocalista, Tobacco canta, por conta de tantos efeitos e reverberação que alteram sua voz.

A entrada com Windshield Smasher mostra boa interação entre os sintetizadores, uma batida contagiante, porém repetitiva, e os vocais cheios de reverberação, que acabam se perdendo em meio aos outros elementos. Hairspray Heart é uma daqueles momentos em que a parte deliciosa está sendo servida. Além de um ótimo feijão com arroz, há também o duo de guitarra e baixo que se torna o grande destaque da faixa. A voz, mais uma vez como um “enfeite” do prato, parece estar lá só para embelezar a música. A sobremesa, Psychic Love Damage, é mais doce e segue um ritmo mais lento. As guitarras desempenham um papel importante, mesmo que, desta vez, fiquem em segundo plano.

O disco segue apresentando músicas que alteram os ingredientes, mas que seguem quase um mesmo padrão e que poderiam se focar em deixar os elementos mais suculentos serem servidos em mais canções ou, pelo menos, fazer com que os elementos estéticos fizessem realmente parte do prato. Em aparência, esse é um ótimo disco, que chama a atenção por seu visual dançante e por mais “esquisito” que seja, compensa por sua animação. Quanto ao sabor ele deixa muito a desejar, aparentando mais do que realmente tem a oferecer.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts