Resenhas

Black Rebel Motorcycle Club – Specter At The Feast

Em seu sétimo disco, o grupo californiano adquire certo saudosismo ao reviver sonoridades de seus primeiros anos e trazer de volta o peso e agressividade do som garageiro que o fez famoso

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Ano: 2013
Selo: Vagrant Records
# Faixas: 12
Estilos: Gararage Rock, Rock Psicodélico, Blues Rock
Nota: 3.5
SoundCloud: /tracks/75871021

Não seria um exagero dizer que, por mais que Black Rebel Motorcycle Club tenha uma carreira bem estabelecida, a banda nunca a tornou sólida. Ótimos lançamentos se misturam a outros medianos e, infelizmente, alguns que não cumpriram a expectativa criada pelo trio desde seu ótimo primeiro trabalho, B.R.M.C. (2001). Entre altos e baixos, os seis prévios lançamentos vieram com uma série de mudanças de sonoridade, formação e idealismo musical, e agora, em seu sétimo disco, Specter At The Feast, o grupo parece voltar aos trilhos que impulsionaram seus primeiros anos.

A volatilidade de seus trabalhos anteriores continua presente aqui, porém desta vez recuperando o experimentalismo, abrasividade e aquela sonoridade ruidosa vinda do Garage Rock que marcaram os primeiros anos de banda. Suas faixas passeiam por alguns extremos e o maior exemplo disse é o duo Returning e Rival, que cria os dois pólos do disco. Enquanto a primeira se apresenta mais polida e serena, a segunda é um turbilhão de energia guiada a guitarras distorcidas e extremamente barulhentas.

Essa constatação de “revival de si mesmo” pode vir logo com a primeira sequência de faixas. Fire Walker estabelece um momento etéreo criado pelos sintetizadores e texturas que, após uma introdução de pouco mais de um minuto, é acrescido de baixo, bateria e guitarra, mas continua seguindo este clima sublimado e texturizado – com isso, a sonoridade simplista do trio ganha um adicional, que até então foi pouco aproveitado. Let The Day Begin traz outros traços deste resgate, sem soar puído. A guitarra de Peter Hayes e o baixo de Robert Levon Been se encontram em uma pulsante melodia que se une à forte percussão de Leah Shapiro, em uma faixa que remete muito ao peso do passado da banda.

Outro traço que marcou os primeiros anos de banda foi a liberdade com o trio criava sua miscelânea de estilos: Gararage Rock, Country Folk, Rock Psicodélico, Blues e mais tantos outros gêneros criavam uma potente mistura que conduzia faixas diversas e alinhadas exatamente com este propósito. Em proporções menores, isso é visto de novo em Specter At The Feast, por exemplo em Hate The Taste, que tem traços do Post-Punk e Blues Rock, Teenage Disease, com tendências do Noise Rock e Alternative Rock, ou ainda em Sometimes the Light e seu Novo Psicodélico tomando forma fantasmagórica e etérea. Por mais esparso que se torne suas referências, ainda há um bom senso de conexão entre faixas, principalmente nas mais dinâmicas.

Um dos principais motivos por todo esse saudosismo poder ser a morte de Michael Been, engenheiro do som do trio por vários anos e pai do baixista Robert. O sentimento de perda se nota não só na lírica da banda em algumas faixas (Lullaby e Some Kind of Ghost), mas também na homenagem prestada ao músico com o cover de Let The Day Begin, originalmente gravada por The Call, antiga banda de Michael.

Seja qual for o motivo para as escolhas feitas para este disco, o baque desta perda parece ter os botado nos antigos trilhos, o que pode agradar os fãs mais antigos, bem como trazer alguns novos. O “hiato” de criatividade da banda parece finalmente ter acabado, ou pelo menos para este lançamento, que apresenta aquele selo de qualidade BRMC.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts