Resenhas

Blackmilk – In Lak’ech

Mais acertos do que erros caracterizam a primeira obra produzida pelo próprio quinteto de Perth que, embora tenha uma veia lisérgica, não faz parte da panelinha de Kevin Parker e companhia

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Ano: 2012
Selo: Independente
# Faixas: 12
Estilos: Rock Psicodélico, Rock Experimental
Duração: 48:54
Nota: 3.5
Produção: Blackmilk

Já faz algum tempo que o Rock Psicodélico e suas vertentes estão em evidência e vem chamando cada vez mais a atenção de muita gente por aí, e, não é novidade também, que muitos dos artistas representantes do estilo se inspiram no passado para fazer suas criações. Porém, e se uma banda conseguisse aliar não só as influências do passado, mas também trazer outros estilos e sonoridades contemporâneas?

Essa é a intenção (alcançada com êxito) dos australianos do Blackmilk, que, logo em seu primeiro disco, acertaram em cheio na dosagem de novidade e saudosismo. In Lak’ech (que na língua Maia significa “Você é o outro eu”) traz todo o requinte e lisergia da Psicodelia dos anos 60 e 70, mas também introduz elementos do Blues, Trip Hop, Rock Alternativo e Folk, fazendo uma mistura que, por mais que recorra a estilos do passado, se mantém muito atual.

Prova disso é a faixa de abertura, que recebe o mesmo nome do disco. Com um quê de Radiohead, ela apresenta batidas fortes e riffs precisos, que criam uma espécie de efeito hipnótico que será visto no decorrer do álbum de diferentes formas. Mas esse é uma obra que viaja por muitos estilos e sonoridades, como você logo vai perceber já na segunda música, Rattle The Cage. Os vocais de James Sherry se projetam em cima de um teclado que emula órgãos e de guitarras que criam uma melodia viajante e explosiva. E essa talvez seja a canção que melhor consiga resumir o disco, até por aparecer fragmentada em várias outras faixas.

Quanto aos estilos, o disco também apresenta uma flutuação muito grande, mas não a ponto de deixar o ouvinte desorientado. The Prospector passeia pelo terreno do Folk e utiliza de violão e uma sessão de cordas para criar um dos momentos mais singelos da obra. Mercy Ray tem uma vibe meio Blues Rock e ganha destaque pela guitarra, que traz além dos acordes típicos do estilo, a presença forte da psicodelia, que ganha ainda mais força com a adição do sintetizador em um pequeno interlúdio dentro faixa. Ambrosia tem uma clima pesado que se aproxima de um Trip Hop soturno e etéreo.

Ainda há espaço no álbum para um dos momentos mais ácidos e revivalistas, como em Where Can The Man Go, que se aproxima do Hard Rock que o Led Zeppelin fazia nos anos 70, ou mais letárgicos, como em Metharia, Pyhtia e Arc Of The Covenant que ajudam a criar momentos de uma calmaria hipnótica.

Mesmo não seguindo um único caminho, é um disco coeso e que sabe trabalhar muito bem suas referências. Fazer um disco tão ambicioso logo em sua estreia é, no mínimo, arriscado, ainda mais sem ajuda de um produtor, mas posso dizer que o quinteto de Perth obteve mais acertos que erros.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts