Resenhas

Blonde Redhead – Barragán

Novo disco da banda é tímido nas experimentações, produzindo algo linear e previsível

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Ano: 2014
Selo: Asawa Kuru
# Faixas: 10
Estilos: Pop Experimental, Soft Rock, Pop Psicodélico
Duração: 49:39
Nota: 2.5
Produção: Drew Brown
Itunes: https://itunes.apple.com/us/album/barragan/id880642460?uo=4
Livraria Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?ni

Com um novo disco, surgem novas expectativas sobre o misterioso grupo Blonde Redhead. A história da banda, formada por Kazu Makino (guitarra e vocais) e os gêmeos Simone (bateria e vocais) e Amadeo Pace (guitarra), possui pouco mais de vinte anos e tentar nomear gêneros para classificar essas duas décadas de experimentalismo não é uma tarefa fácil. Seus primeiros trabalhos são envoltos de uma aura que circunda o Noise ressaltando como uma grande influência a banda Sonic Youth.

Entretanto, nada aqui é tão simples. No segundo disco, La Mia Vita Violenta!, chegamos a escutar elementos indianos em certas faixas. Em Melody of Certain Damaged Lemons, de 2000, a experimentação acolhe sintetizadores ao mesmo tempo que muitos barulhos e gritos da vocalista. Quando você acha que nada pode ficar mais biruta e maluco do que já está, a banda aposta em estruturas concretas e padrões lançando um de seus melhores disco, 23, de 2007. Em 2010 o trio passa por um momento de exploração Eletrônica em seu penúltimo lançamento Penny Sparkle. Tudo isso para mostrar onde nos encontramos agora, com o lançamento de Barragán.

Quando lidamos com uma banda com vinte anos de carreira é comum vermos uma perda das sonoridades originais e, de certa forma, até aceitável. Só que o que vemos neste disco não diz respeito a essa expectativa, mas a um relaxamento no que se refere ao experimentalismo. Discos passados mostravam não só uma exploração sonora, mas improvisos mirabolantes de uma banda que não se limitava a ser nomeada por um gênero e sim, pelo livre transito entre eles.

Obviamente, podemos ver Barragán como uma proposta minimalista que o grupo teve consciência de estar fazendo e não um simples acidente resultado de experiências musicais. Mesmo com esta proposta, o disco desaponta fãs de longa data da banda e, seus novos horizontes não parecem ser fortes o suficiente para trazer novos admiradores. É uma questão de estar sempre no meio termo. Quando ouvimos aqueles instrumentos indianos, sintetizadores e elementos eletrônicos de seus outros discos, vêmos que eles são coadjuvantes que contribuem para suportar algo maior chamado Experimentalismo. Já em Barragán, a simplicidade das músicas, seja no número de instrumentos presentes ou nas estruturas harmônicas e melódicas, não parece estar suportando nada maior. O ditado americano “what you see is what you get” parece se aplicar bem aqui.

Não é necessário considerar o disco como completamente inválido, afinal, ainda é uma obra de um trio extremamente talentoso e influente. Encontramos alguns elementos presentes em toda a sua obra como os vocais suaves de Kazu na faixa Defeatist Anthem (Harry and I), auras extremamente hipnóticas (Seven Two) e até mesmo sinistras (Dripping). Mas de fato, falta aquele empurrão que nos deixava completamente sem reação de excelentes discos passados como 23 e Melody Of Certain Damaged Lemons.

Ainda é cedo para dizer se a banda perdeu o que tinha. Um disco mediano é pouco diante de oito ótimos trabalho. Basta esperar para dizer se estamos diante do declínio de Blonde Redhead ou apenas uma espécie de “dia-ruim” dentro da discografia da banda.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.