Resenhas

Blood Red Shoes – Blood Red Shoes

Após dois discos mais Pop, dupla britânica volta, aos poucos, com o som cru de disco de estreia

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Ano: 2014
Selo: Jazz Life
# Faixas: 12
Estilos: Garage Rock, Indie Rock
Duração: 37:36
Nota: 3.0
Produção: Laura-Mary Carter, Steven Ansell
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fblood-red-shoes%2Fid792952838%3Fuo%3D4%26partnerId%3D2003

Os fãs do início da carreira da dupla já estavam com saudades. Desde Box Of Secrets, primeiro álbum de estúdio, que não víamos, ou melhor, ouvíamos, as guitarras ruidosas e baterias secas da Blood Red Shoes. Depois de dois álbuns mais brandos em agressividade e crueza, a banda enfim parece voltar para seu som “original” com seu novo e homônimo álbum.

Se em 2008 Laura-Mary e Steven chegavam à cena musical mostrando um trabalho mais agressivo e garageiro, com rapidez nas baterias e riffs de guitarra, nos anos seguintes a dupla começaria a perder intensidade e lançaria álbuns muito menos intensos e com levadas mais Pop. O resultado foi uma banda que parecia ou ter renegado seu som de início ou que buscava experimentações – o mais plausível. Entretanto, após sete anos desde o primeiro disco, os britânicos estão – aos poucos – de volta com o seminal som que os apresentou ao mundo.

Apresentando tanto faixas mais barulhentas como os do primeiro trabalho da dupla, quanto canções mais brandas, Blood Red Shoes poderia tanto assumir a face de um disco de transição do primeiro trabalho para a fase Pop, quanto de um trabalho de regresso, aos poucos, para sua origem , o que, por sabermos a cronologia da discografia, é o caso.

É verdade que ainda temos algumas “baladas”, por assim dizer, presentes no novo álbum, como são os casos de Far Away, Behind a Wall e Stranger que se assemelham à faceta dos dois discos anteriores. Porém, isso soa mais como um último resquício dessa fase mais branda que abanda passou, visto que Blood Red Shoes volta a ser preenchido com elementos barulhento. Assim sendo, temos de volta as características distorções sujas de guitarra, como em An Animal – e que lembra riffs à la Queens of the Stone Age das épocas de Songs For The Deaf e Era vulgaris – e as batidas firmes das baquetas de Steve na ótima instrumental Welcome Home, que parece realmente trazer a banda de volta para casa após um passeio ou uma viagem em busca de novos ares, mas que enfim retornou para seu lar, ou melhor, para a sua garagem de casa.

Como dito, ainda temos fragmentos da Blood Red Shoes em sua roupagem mais Pop presente neste novo disco. Porém, o que podemos perceber é um gradativo retorno ao som primitivo da dupla, mesmo que ainda mais timidamente, tendo apenas quatro ou cinco músicas no estilo antigo dentre as doze que compõem o disco. Vale ressaltar que este é o primeiro disco sob o selo da própria banda, a Jazz Life. Tal fato deve ser levado em consideração, podendo ser um elemento que tenha dado maior liberdade aos dois integrantes para poderem voltar às suas origens sonoras, quanto por assim ter menor pressão das gravadoras influenciando para uma uma sonoridade mais Pop como para os dois trabalhos anteriores.

Se a banda está aos poucos voltando às suar raizes para enfim fincar uma identidade, o que pode indicar o título homônimo à banda para o novo trabalho, ou se foi a liberdade de produção que resultou nesse retorno, por enquanto não sabemos. Mas uma coisa é certa: ficaremos ansiosos para o próximo trabalho da dupla afim de solucionarmos essa questão.

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BOM PARA QUEM OUVE: The Subways, Band of Skulls, The Kills
MARCADORES: Garage Rock, Indie Rock

Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).