Resenhas

Blue Hawaii – Untogether

Belo registro insular do duo canadense se torna quase impenetrável, tamanha a introspecção alcançada em suas faixas

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Ano: 2013
Selo: Arbutus
# Faixas: 11
Estilos: Dream Pop, Nu Gaze, Eletrônico Experimental
Duração: 43:03
Nota: 3.5

A introspecção é o ponto central de Untogether, certamente o que mais se destaca na música talhada no primeiro registro da dupla apelidada de Blue Hawaii. O som do duo canadense leva isso tão ao extremo, ao ponto de seu som se tornar altamente claustrofóbico. O resultado final é uma obra etérea, que reprocessa e encontra novos caminhos dentro da música Pop, mas ao mesmo tempo cria algo impenetrável, como se Alexander Cowan e Raphaelle Standell-Preston (Braids) criassem uma barreira ao redor de si, barreira essa que o ouvinte consegue facilmente apreciar, mas que dificilmente irá penetrá-la.

Com 43 minutos, a obra se estende por onze faixas que nadam em águas calmas e cristalinas do Dream Pop, afluindo também pelas turvas correntes do Nu Gaze (principalmente pelo tom nevoento e hipnótico que definem grande parte das faixas). O resultado desse encontro é um Pop eletrônico fragmentado, cujo efeito narcótico pode ser observado em toda a extensão do álbum.

Ao mesmo tempo em que esse tal efeito pode beneficiar uma doce e bela viagem etérea, ele pode também entorpecer o ouvinte, tirando dele a sensibilidade do que acontece ao seu redor. Essa sensação anestesiada é passada pelos vocais maleáveis de Raphaelle, que se tornam mais um instrumento, e também pelas texturas, efeitos e sintetizadores cheios de chorus e reverberações.

Mesmo apresentado grandes similaridades (o que define o som da dupla), as faixas de Untogether mostram uma boa variedade. Follow, por exemplo, passa muito dessa impressão sufocantemente bela, apresentando um misto entre o coral de uma só voz, que se une ao bem trabalhado fundo eletrônico, repleto de batidas suaves e texturas que parecem ser construídas através dos vocais. In Two cria-se ao redor dos hipnóticos vocais e “ooohhhhs” fantasmagóricos em repetição; Sierra Lift recria o Dubstep a sua maneira, usando o estilo como referência, mas o trabalha usando as características da dupla.

No geral, cada uma das faixas recria de forma diferenciada as principais influências do duo. Porém nem toda essa variação sonora consegue derrubar as barreiras com que Alexander e Raphaelle cercam sua música. A sensação insular é sentida em toda a obra e esse afastamento é ao mesmo tempo o principal diferencial da dupla e seu “ponto fraco”.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts