Resenhas

Boards of Canada – Tomorrow’s Harvest

Seguindo os clássicos moldes do trabalhos anteriores, disco vem etéreo e sublime e pode ser colocado como trilha sonora para os passos do ouvinte

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Ano: 2013
Selo: Warp
# Faixas: 17
Estilos: Ambient Music, Downtempo, IDM
Duração: 62:07
Nota: 4.0
Produção: Marcus Eoin, Mike Sandison

Após um longo tempo, eis que os irmãos Michael Sandison e Marcus Eoin retornam com Tomorrow’s Harvest, quarto disco de estúdio do Boards of Canada. Sem lançar nada inédito desde 2006, a dupla nos soma mais 17 faixas ao seu repertório de composições etéreas e transcendestes.

Com longa duração – como é de costume- passando dos 60 minutos de duração, Tomorrow’s Harvest. Pode muito bem ser descrito como uma rilha sonora para qualquer momento de vida. Apresentando um início eloquente, como direito a trompetes e cornetas de anúncio no estilo jingle da Universal Studios como introdução da primeira faixa, o álbum começa como se apresentasse uma narrativa ao ouvinte. Narrativa essa que não se limita e pode ser desde seus plano de fundo para pensamentos, passos, olhares ao longe ou frutos de uma ficção criada pelo ouvinte ali mesmo, na hora da audição do disco.

Carregando a clássica forma da dupla escocesa, as músicas são levadas para o lado sublime e de ambiente, apenas ganhando maior tônica nas faixas Palace Posy e New Seeds. Tal calmaria algumas vezes vem somada de vozes rebuscadas e que se apresentavam mais como um elemento instrumental que um vocal com intuito de passar alguma mensagem . Toda essa atmosfera resulta num trabalho envolvente que, ao mesmo tempo que se faz de ambiente, também se faz parte do momento do ouvinte, que reage às diferentes nuances do passar das faixas. Ao final, Semena Mertvykh contrapõe os júbilos introdutórios das cornetas com um fade out nebuloso com ares de encerramento.

Após sete anos de espera, Boards of Canada nos traz um trabalho que atende às espectativas de qualidade que sempre apresentou, e faz de Tomorrow’s Harvest um álbum tanto para se ouvir acompanhado de uma reflexão pessoal, quanto – principalmente – trilha de ambiente daquelas de ser a personagem principal do plano de fundo desse modo e desempenha bem o papel de cenário musical para os passos que damos pelos caminhos afora.

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BOM PARA QUEM OUVE: Bibio, Air, Brian Eno

Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).