Resenhas

Bombay Bicycle Club – So Long, See You Tomorrow

Banda incorpora referências novas, mas que não a libertam das fórmulas de seus trabalhos passados

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Ano: 2014
Selo: Universal Music
# Faixas: 10
Estilos: Indie Pop, Synth Pop, Indie Rock
Duração: 44:55
Nota: 2.5
Produção: Jack Steadman
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fso-long-see-you-tomorrow%2Fid768753684%3Fuo%3D4%26partnerId%3D2003

2011 parece um ponto tão distante no tempo que So Long, See You Tomorrow, quarto disco de estúdio do quarteto londrino Bombay Bicycle Club, soa como mais um dos tão aguardados retornos de bandas que sumiram há algum tempo. Não deixa de ser uma volta à ativa, com a quantidade de novidades cada vez maior surgindo na música, três anos é tempo de sobra para absorver todo o material já lançado por algum artista e, principalmente, para nos entupirmos de novas experiências e referências que influenciam e muito nossa reação ao que ouvimos depois disso.

Isso foi também o que aconteceu com Jack Steadman, líder da banda, que viajou o mundo para renovar suas referências e encontrar inspirações para seu novo disco. A Índia é a primeira influência visível, como na melodia de Luna, um dos primeiros singles do disco a serem divulgados, e também no sample inicial de Feel, retirado de um filme antigo de Bollywood.

Essa tentativa da banda de tentar encontrar novos caminhos poderia ter vindo por diversos motivos, mas infelizmente, parece sempre esbarrar numa tentativa de sair do imaginário de muita gente como mais um nome dentro da saturada fórmula do Indie Pop divertido que entope festas pelo mundo todo. O grande problema neste caso é que o resultado dessa tentativa de se diferenciar não parece bem sucedido, caindo em um disco que, apesar de aparentemente trazer algumas novidades, soa como tudo que eles não gostariam de ser.

Essa falha tentativa de mudança não deveria ser um problema, é normal e muitas vezes inclusive é interessante que uma banda mantenha sua identidade ao longo de sua obra, mas este não parece ser o caso. So Long, See You Tomorrow soa como uma repetição de fórmulas criadas pela própria banda, principalmente herdadas de seu último e mais interessante trabalho, A Different Kind Of Fix, misturadas com as estruturas Pop e refrões grudentos de outras bandas do gênero. Isto não torna estas músicas ruins por completo, de forma alguma, apenas superficiais e menos interessantes.

A trinca inicial, juntamente com a já citada Luna, são os grandes trunfos do álbum. Ótimas faixas que, numa primeira audição, fazem qualquer crítica ao trabalho parecer exagerada, mas a questão é justamente esta, são hits instantâneos, mas superficiais. Ao ouvir o disco algumas vezes, o fã vai se encantar, se divertir e vai buscar algo a mais naquilo, mas não vai encontrar. Em seguida, desistirá da busca e voltará para se contentar com os hits gostosos que ouviu anteriormente, mas se decepcionará em ouvi-los e não achá-los mais tão interessantes assim.

Isto acontece pois a banda realmente colheu boas referências e é tecnicamente respeitável, sabendo como reproduzir estas novidades trazidas para o novo trabalho, mas faltou criatividade e sensibilidade para usar estas novidades a fim de nos emocionar.

Overdone traz elementos novos, mas eles apenas estão lá, não comunicam muita coisa. It’s Alright Now começa promissora, com um bom e grudento gancho inicial, como uma boa faixa de Indie Pop, mas fica repetitiva durante toda sua extensão e não surpreende novamente. Carry Me é uma daquelas músicas que parecem só trabalhar para um refrão. Ela traz inicialmente um trabalho que começa a ser interessante e denso com a percussão e os sintetizadores, mas nada cresce daí até chegar o ótimo refrão.

Desde o início do disco, a impressão que fica é de que Jack Steadman e sua banda estejam tentando demais. A todo momento, querem nos entupir de referências e nos passar uma sensação falsa do quanto estão sendo experimentais. Em entrevista ao jornal inglês The Independent, fica claro que tudo isso é reflexo da preocupação excessiva que eles tem com a própria imagem, com como são percebidos pelo público e onde se encaixam dentro do cenário musical.

So Long, See You Tomorrow é um álbum que traz boas faixas, alguns ótimos hits, mas que não se sustentam além daí. Ele funciona em alguns ambientes como festas e trilhas sonoras, devem até render bons clipes, mas mostram sua fragilidade em outros momentos, por não possuir carga emocional que o torne memorável. É uma tentativa interessante de uma ótima banda em chegar a algum lugar, mas que daqui de longe, parece apenas ter tentado um atalho novo que enfeita o caminho anterior, mas não o engrandece.

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Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.