Resenhas

Bonobo – The North Borders

Quinto álbum de Simon Green é tão belo quanto seus antecessores, mas peca pela mesmice e por sufocar suas faixas dentro de uma só ideia

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Ano: 2013
Selo: Ninja Tune
# Faixas: 13
Estilos: Downtempo, Trip-Hop, Eletrônica
Duração: 58:53
Nota: 3.0
Produção: Simon Green
SoundCloud: /tracks/76255568
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fthe-north-borders%2F

The North Borders é o quinto disco de Simon Green sob o pseudônimo de Bonobo e aqui o multi-instrumentista e produtor inglês dá continuidade ao seu bem criticado Black Sands, de 2010, álbum em que o músico conseguiu chamar a atenção do grande público – quase dez anos depois de seu primeiro lançamento. A mistura vista naquela obra é o mesmo misto entre Trip Hop, Jazz e Música Eletrônica visto neste, porém com mais adições vocais – e algumas de peso, como a de Erykah Badu, por exemplo.

Falando em continuidade, essa parece ser a ideia de música downtempo de Green. Pois grande parte de suas faixas se desenvolvem lentamente e apostam em criar um efeito hipnótico ao ouvinte, ao invés de apostar na criação de clímax dentro de suas faixas. O resultado é um misto envolvente e orgânico, mas que pode se tornar cansativo pelo mesmo motivo que o torna tão interessante: a imobilidade sonora.

Não que todas as músicas sejam iguais entre si, mas cada uma delas se desenvolve como uma ilha, ao ponto de não criarem grande coesão quando postas em sequência. Outro problema que fica evidente logo na primeira audição é que grande parte delas parecem se sufocar dentro de uma ideia, como se Green tentasse levar uma linha de pensamento ou frase para o maior número de caminhos possíveis – e é este exatamente o ponto em que The North Borders pode se tornar um pouco extenuante.

Ainda assim, sonoramente, o álbum explora belas paisagens. A ambientação onírica criada pelas treze músicas desta obra é criada usando uma boa mistura entre timbres eletrônicos e acústicos – adicionando saxofones, violinos, xilofones e, claro, os vocais. A abertura, com First Fires, mostra parte dela, adicionando o belo vocal de Grey Reverend ao delicado misto eletrônico de Simon. Heaven For The Sinner repete o que foi proposto até então e conta com a bela voz de Erykah Badu. Mais uma inserção vocal é a de Szjerdene nas faixas Towers e Transits – sendo elas envoltas por uma levemente aura Lo-Fi, tendo alguns chiados e craquelados em ambas, e na primeira delas a presença alguns sintetizadores emulando 8-bits.

Nas faixas instrumentais a mesma mistura eletrônico-acústica pode ser vista – e algumas vezes superando o poder das canções. O primeiro single, Cirrus, comprova isso e se torna uma das melhores faixas já produzidas por Bonobo. O clima sonhador e etéreo desta pode ser visto também em músicas como Emkay e Sapphire, não tão potentes quanto o single.

Em The North Borders, Bonobo consegue manter seu público cativo fiel ao seu som proposto há mais de dez anos, mas dificilmente irá chamar tanta atenção quanto em Black Sands.

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BOM PARA QUEM OUVE: Flume, Matthew Dear, Gold Panda
ARTISTA: Bonobo

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts