Resenhas

Boogarins – Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos

Maturidade da banda é revelada na dimensão com que apresenta faixas trabalhadas ao vivo

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Ano: 2015
Selo: Other Music/StereoMono
# Faixas: 11
Estilos: Rock Psicodélico, Neo Psicodélico
Nota: 4.5
SoundCloud: /tracks/226599809

Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos é uma obra de hipérboles modestas que vem como o segundo capítulo na discografia da banda goiana Boogarins, consequência direta de seus últimos anos na estrada.

Se As Plantas que Curam falava de de livros e discos – pontos referenciais para a imaginação -, o novo trabalho tira o quarteto de casa e coloca-o livre pelo mundo para perspectivas mais amplas dos mesmos temas de antes (o “amadurecer”, principalmente). Sabe-se que esse processo foi quase literal, já que as músicas foram desenvolvidas nas turnês que a o grupo fez por diversos países, o que contribuiu para o senso expansivo que as novas faixas trazem.

Isso acontece, contudo, de uma forma um tanto contida, como se mostrasse maturidade ao negar o espírito demasiadamente juvenil de correr sem rumo pela mera capacidade de mover-se, optando aqui por conhecer seu rumo. Quem já viu Boogarins ao vivo vai reconhecer o conteúdo dos shows, não só porque essas músicas já vem sendo apresentadas há algum tempo, também na maneira com que a banda se apresenta com vários desenvolvimentos de temas e pequenas surpresas, aqui todas traduzidas muito bem para dentro dos limites do formato disco, ainda que a Psicodelia por si só seja naturalmente difícil de ser contida.

A partir disso, as letras dão conta da amplitude da liberdade de criação. Há alguns elementos concretos que, por si só, simbolizam conceitos muito maiores (prédios, sangue), enquanto o que fica da audição é a expansão de conceitos como o tempo sendo trabalhados nas músicas. Enquanto algumas delas vem como pequenos espetáculos para os shows (Cuerdo, Falsa Folha de Rosto e Tempo, por exemplo), outras vem com potencial de enorme propagação também nos fones de ouvido (6000 Dias, Mario de Andrade/Selvagem e Sei Lá, principalmente), algo que o anterior possuia em menor escala e que fará com que este seja ainda mais conhecido.

Em várias das faixas, você vê sua sobriedade ser desafiada em momentos de elevação da alma por entre as dinâmicas dos instrumentos trabalhando as belas melodias, o que faz com que qualquer momento cotidiano ao som de Boogarins vire fim de semana – ou melhor, férias desaceleradas por paisagens cheias de cores e detalhes. É o incentivo certo para ampliar a imaginação, os sorrisos e a sensação de lazer por uma banda que, sem ter que fazer alarde, vê crescer também não só a qualidade de seu trabalho, mas também sua relevância.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.