Resenhas

Boys Noize – Out of The Black

O produtor alemão mistura Electro, Hip Hop e Techno no lançamento de seu novo álbum e prova trabalhar de olho nas tendências

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Ano: 2012
Selo: Boysnoize Records
# Faixas: 14
Estilos: Electro House, Hip Hop, Techno
Duração: 67:02
Nota: 4.0
Produção: Alexander Ridha

No nome Alexander Ridha encontramos a concretização de um workaholic, com perdão do estrangeirismo. Temos um produtor, compositor, empresário e DJ que construiu seu respeito através de talento. O nome Boys Noize, que se tornou cada vez mais falado, principalmente, após dos anos 2000, com o resurgimento do Electro-house, foi construído através de acerto-atrás-de-acerto. Hoje, Ridha já ajuda na fama da Alemanha como berço da música eletrônica e tudo isso por conta do seu bom gosto em misturar tendências e fazer sua música através de uma originalidade peculiar, que hoje já é seu padrão de assinatura.

Disse workaholic ali no começo porque o produtor já passou por dois lançamentos oficiais esse ano, ambos já resenhados pelo Monkeybuzz: seu trabalho com Mr. Oizo, intitulado Handbraekes e seu duo com o príncipe do Dubstep comercial Skrillex, chamado Dog Blood. Além de finalizar tais álbuns e coordenar uma série de artistas que compõem seu selo Boys Noize Records, o rapaz ainda teve a ousadia de trazer mais uma obra. Out of the Black é seu terceiro álbum de estúdio e mescla, em quatorze faixas, o que sabe fazer bem: um mix de tendências e referências pessoais.

A começar com as duas faixas previamente liberadas à crítica: What you Want e XTC, ambas trabalhadas fortemente no Techno e vocais mecanicamente modificados. A primeira traz fortes influências do Daft Punk e bases facilmente conectadas com o que vimos no último trabalho dos franceses do Justice. A segunda, e primeiro single de Out of the Black, usa synths dos anos 80 em sequência de um Electro rasgado. A atmosfera e os vocoders se mantém em Missile e Touch it, a última talvez uma das melhores, com pitadas maiores de influências oitentistas, funky com direito até a scratch. Assim como Reality, Ich R U concentra uma preocupação maior de ritmo, com maior uso vocal em harmonia com a base e um desfecho delicado com sintetizadores macios: completamente adequadas a pistas. E toda essa calmaria é logo espantada com Rocky 2, talvez uma das melhores faixas de todo o trabalho, típica que te faz respeitar e arrepiar tudo o que tiver pra arrepiar. As várias vezes que você vai investir (e não gastar!) sem tempo com essa música te faz perceber que o segundo drop encaixa perfeitamente nos remixes que levaram Ridha ao topo. Talvez por isso que não dê para fechar a crítica em somente bons argumentos. O produtor poderia ter pesado a mão usando synths diferentes do padrão.

A pancadaria dá espaço à base Hip Hop de Circus Full of Clowns. Gizzle acompanha o baixo BPM e o sintetizador em loop com uma letra repleta de insultos, um passo certeiro no que vemos de Post-hop, com direito aos synths desconexos do Dubstep na segunda parte da música. A mesma linha é seguida com Got it, em parceria com ninguém menos que Snoop Dogg. A letra continua recheada de palavrões e a base conta com uma percussão menos pesada e backing vocal feminino harmônico. Conchord, em parceria com Siriusmo, traz piano e progressões com padrões típicos do Electro francês, que também anda junto com as produções de Ridha. Uma mistura de Deep com EDM é aclamada em Merlin uma percussão tranquila de forma contagiante e que contrasta com a surra de Stop, em seguida. Distant Lover encerra o álbum com uma tranquilidade quase que Trip-hopeana.

E, assim que termina, temos a conclusão que não dá pra adivinhar nada antes da hora. Não é à toa que Ridha cresceu a esse ponto. O produtor enxarcou seu trabalho com tendências e provou, mais uma vez, que previsibilidade não consta em seu dicionário. Aqui em Out of The Black, mostrou que com baixo BPM também se faz Electro. Voltou e deu sua roupagem Boys Noize ao Techno, como havíamos visto anteriormente em #1. Trouxe o Hip Hop e o Trip-Hop para andarem juntos com seus synths rasgados. Trabalhou todas suas faixas minuciosamente, com detalhes diferentes, inusitados e originais. Veio com um pouco de tudo: faixas com predominância vocal e instrumental. Misturou tons e timbres, batidas e percussões, synths rasgados e macios. Provou sua versatibilidade e a razão de ser tão respeitado na cena eletrônica. Out of The Black vem pra incendiar a cabeça dos produtores e avisar que tem olhos lá na frente. Boys Noize está em alta e não vai sair tão cedo.

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BOM PARA QUEM OUVE: Justice, Handbraekes, Daft Punk
ARTISTA: Boys Noize

Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King