Resenhas

Bratislava – Um Pouco Mais de Silêncio

Yin e yang conceitual marca segunda obra do grupo

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Ano: 2015
Selo: Independente
# Faixas: 12
Estilos: Rock Experimental, Experimental
Duração: 56"
Nota: 3.0

“O silêncio é parte fundamental da música. Tudo o que é pausa, toda interrupção entre um beat e outro, cada intervalo entre acordes, cada quebra de verso, cada respiro, cada suspiro. A compreensão disso norteou a busca que iniciamos nos meses finais de 2013 por algo novo, um som que nos comovesse e que continuasse soando sempre estranho, driblando chances de soar enfadonho ou previsível. Algo que contivesse pancada e suavidade entrelaçadas. Palavras que se desdobrassem como um origami, que contivessem novidades a cada superfície penetrada, como uma matrioshka”, diz o quarteto Bratislava sobre seu segundo álbum, Um Pouco Mais de Silêncio.

O disco de fato se desdobra em novas possibilidades e possui diversas camadas como a tal boneca russa: É um emaranhado sonoro que experimenta sem medo de trazer elementos “alienígenas” ao seu som, ao mesmo tempo em que busca elementos do Rock, Jazz, Pop e outros estilos que já são comuns até mesmo ao ouvinte mais desavisado. É uma antítese interessante e que parece nortear o grupo de forma conceitual ao enveredar-se em uma obra que caminha entre extremos: barulho e silêncio, comum e extraordinário, vida e poesia.

Essa espécie de yin e yang manifesta-se no encontro de certa digressão instrumental com um teor lírico poético, que explora o onirismo de mundos surreais. Esse é um disco que brinda as letras “foras do comum”, que busca sentido em situações quase não mundanas, mas que refletem no fundo algum aspecto de nosso cotidiano. Instrumentalmente, o álbum se mostra robusto e cheio de ideias dispersas, que, no entanto, se amalgamam de forma a tornar as doze faixas uma obra coesa. Músicas mais sintéticas como, Intro e Deze7 Relâmpagos, se conectam muito bem as roqueiras Vermelho e Nuvem de Mercúrio, ou ainda às mais “progressivas”, como Ando Morto e Ingestão.

Um Pouco Mais de Silêncio é não só um álbum que mostra maior maturidade em relação ao disco de estreia do grupo, Carne (2012), mas também uma obra bem mais corajosa, que explora no profano (Serpentina e Yorick) o lado mais sagrado de nossas vidas. Mais uma prova da bipolaridade sonora do grupo, que ainda se encaminha ao digladiar letras introspectivas com sons cáusticos, instrumentação elétrica e eletrônica, passado e futuro, realidade e “surrealidade”.

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BOM PARA QUEM OUVE: FFS, Ventre, TV on the Radio
ARTISTA: Bratislava

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts