Resenhas

Broken Bells – After the Disco

Segundo álbum do duo supera os erros do primeiro, porém ainda fica preso às saídas fáceis do Pop

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Ano: 2014
Selo: Columbia
# Faixas: 11
Estilos: Disco, Indie Pop
Duração: 45:46
Nota: 3.0
Produção: Danger Mouse
SoundCloud: /tracks/124384065
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fafter-the-disco%2Fid734744722%3Fuo%3D4%26partnerId%3D2003

A história da parceria entre Brian Burton (Danger Mouse) e James Mercer (criador do The Shins) começa alguns anos antes da formação do Broken Bells e do lançamento de seu debut em 2010. O primeiro encontro da dupla aconteceu em 2004, no Roskilde Festival, uma época em que os dois nomes começavam a ganhar reconhecimento: Brian ainda era um produtor relativamente desconhecido que acabara de criar o The Grey Album (disco de mashups entre o [The Black Album], do Jay-Z, e The White Album, do The Beatles) e James emplacava sua banda na trilha sonora de Garden State, um filme que catapultou o grupo como uns dos novos expoentes do Indie Rock do começo da década de 2000.

Passaram-se seis anos até que uma das parcerias mais improváveis da música moderna de fato acontecesse. Porém, na época, ambos eram nomes de maior expressividade. Danger Mouse havia produzido muita gente boa (The Black Keys, Sparklehorse, Gorillaz e Beck), além de participar de projetos como The Good, the Bad and the Queen e Gnarls Barkley. Mercer produziu somente mais um álbum com The Shins, Wincing the Night Away (2007), mas na época colaborou com Brian em projetos do Danger Mouse/Sparklehorse (em Dark Night of the Soul de 2005) e Modest Mouse (no álbum We Were Dead Before the Ship Even Sank de 2007). Ali, nascia o embrião da parceria que se concretizaria em Broken Bells.

Aquele foi um bom disco, porém abaixo do que a expectativa do que uma reunião dessas gerava. Esperava-se que dois nomes tão grandes como esses reunidos em um mesmo projeto deveria produzir muito mais do que foi mostrado naquela obra. Ali, a dupla parecia ainda não estar confortável em trabalhar junta e o que surgiu disso foi uma parceria que não mostrava o real potencial de nenhum de seus dois polos. Felizmente, After the Disco supera esse problema e parece realmente resultar de um esforço conjunto dos músicos.

Desta vez, unindo a lírica melancólica e Pop de Mercer à produção refinada de Mouse, o disco supera seu antecessor em todos os aspectos e gera uma audição relativamente prazerosa, ainda mais quando os singles são tocados. O problema é o rápido desgaste da obra e sua aparente mesmice ao se comparar aos inúmeros outros trabalhos que esbarram nos mesmos gêneros que orientam este – principalmente no que diz respeito a usar a tão saturada década de 80 como principal referência. Mesmo a produção assertiva, Pop e refinada não salva o álbum de cair em algumas saídas fáceis e lugares comuns e esse é o grande ponto negativo de um álbum que de forma alguma é ruim.

Apesar da Disco ser aparentemente a maior referência do álbum, outras bem espertas aparecem, até mesmo um pouco da carga de The Shins (em faixas como Lazy Wonderland e The Remains of Rock & Roll). Há um pouco do senso Gospel em Leave It Alone, do Synthpop em Perfect World e The Changing Lights, um Indie Pop à la Peter, Bjorn and John em Medicine e até mesmo algo do Dream Pop e Soul em The Angel and the Fool. After the Disco e Holding On for Life foram acertadamente escolhidas como singles e, a meu ver, são as faixas que melhor exemplificam a qualidade do duo em compor – infelizmente, a inventividade delas não prossegue por todo álbum. Ainda assim vale, ressaltar que o disco é composto de boas faixas, porém que perdem seu frescor depois de algumas audições.

Assim como Danger Mouse fez em Evil Friends, mais recente disco do Portugal. The Man, After the Disco parece sofrer de certa falta de personalidade e de se camuflar no meio Pop. Por mais que seja uma obra que possa se disseminar facilmente, não há a nada que a torne realmente única – algo que se esperaria de um encontro de nomes como estes.

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ARTISTA: Broken Bells
MARCADORES: Disco, Indie Pop

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts