Resenhas

Brooke Candy – Sexorcism

Depois de travar uma batalha interna para conseguir gravar suas músicas, a rapper chega desbocada e livre em seu LP que fala de sexo sem neuras e com bom-humor

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Ano: 2019
Selo: Nuxxe
# Faixas: 12
Estilos: Pop Alternativo, Trap, House
Duração: 33'
Produção: Jesse Saint John

O muito aguardado primeiro disco de Brooke Candy entrega o que promete: sexo, feats poderosos e muitas músicas para bater cabelo na pista. O Pop torto da rapper, somado aos seus versos explícitos, navega no mesmo mundo apresentado por seus primeiros lançamentos, como o single “Das Me”(2012). O álbum debut demorou para chegar pois a gravadora de Brooke Candy, a RCA, não aprovava o conteúdo de suas letras. O trabalho que nunca saiu, Daddy Issues, contava com produção executiva de SIA. Lembrando que a dupla também tem um single juntas, “Living Out Loud”, lançado em 2017. 

A espera faz sentido, afinal, a mensagem de Sexorcism está justamente no encontro entre seus temas. O som e as explorações sobre as identidades sexuais da rapper criam esse apelo. Pode tocar na festa, assim como você pode escutar no caminho do trabalho, naquela busca por uma dose extra de confiança no dia a dia. Para quem não lembra, o nome de Candy caiu na boca do povo depois dela participar do clipe de “Genesis”, hit da Grimes. Desde então, ela continua a aumentar a sua turma. Além de SIA, Diplo já produziu uma de suas músicas, “Opulence”, de 2014. Para o trabalho recém lançado, são nomes como os de Charli XCX, Iggy Azalea e Rico Nasty que despontam na lista. 

Uma das tracks com mais elementos de House e de Miami Bass, “Cum” – em que Candy divide os vocais com Azalea – a dupla fala sobre orgasmo feminino. “Mulheres: peguem o seu, peguem o seu antes e talvez vão embora”, disse a rapper à Billboard sobre o tipo de atitude que deseja enaltecer na faixa. Ao longo das 12 músicas do LP, os ouvintes são apresentados ao tipo de mulher que a artista lapidou ao longo dos anos em que ainda não tinha um registro em forma de disco. Nessa história, ela é uma boss lady (“Swing” e “Boss Bitch”), doidinha sem medo de ser feliz (“Freak Like Me”) e uma mulher que gosta de sexo de verdade (“FMU”). Claro, tudo temperado de humor, piadas e comparações engraçadas. Em “Swing”, ela compara pintos com tipos de macarrão, honrando suas origens italianas, por exemplo. Na eletrônica “Rim”, rola uma homenagem a “Erotica”, de Madonna. A mesma faixa conta com a participação das drags Violet Chachki e Aquaria, arrematando o clima de boate, com direito a batalha imaginária de voguing e muito carão. 

Em Sexorcism, sensualidade e sexualidade são tópicos a serem provocados, musicados e levados para suas últimas consequências. Assim como Madonna no passado, ou mais recentemente com Cardi B, cupcakKe, Janelle Monáe e outras artistas que falam sobre sexo, Brooke Candy crava sua marca no mundo da música com uma identidade combativa e debochada. Um registro de Pop Alternativo, da escola de Grimes e SIA, com um polimento um pouco mais bruto do que as parcerias criativas. As batidas quebradas, a inspiração no Trap e a presença do autotune tornam o trabalho mais familiar, com sons menos estranhos alternando entre algumas experimentações sonoras. Tudo muito bem amarrado com a personalidade de Candy. 

(Sexorcism em uma música: “Cum”)

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ARTISTA: Brooke Candy
MARCADORES: Pop Alternativo, Trap

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