Resenhas

Cachorro Grande – Costa Do Marfim

Entre percussões exóticas e psicodelia forçada, banda gaúcha lança novo trabalho após três anos

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Ano: 2014
Selo: Cava Records
# Faixas: 11
Estilos: Rock Psicodélico, Acid Rock, Eletrônico Étnico
Duração: 58:18
Nota: 2.5
Produção: Edu K
Itunes: https://itunes.apple.com/us/album/costa-do-marfim/id909507099?uo=4

Com uma fama vinda de hits do passado, como Você Não Sabe O Que Perdeu e Sinceramente, Cachorro Grande tem quinze anos de carreira e uma discografia de fazer inveja a qualquer banda com os mesmos anos de estrada. Carregar a produção de seis discos, de fato, não é uma tarefa fácil ainda mais depois de hits tão fortes, fato que poderia desencorajar uma banda mais amadora a sossegar após o gosto do sucesso.

A banda gaúcha carrega uma considerável quantidade de fãs que acompanham sua trajetória, do trabalho autointitulado (2001) até seu último disco, o bem recebido, Baixo Augusta (2011). Após um período razoavelmente demorado, Costa Do Marfim é lançado e, não sei o que foi que os músicos encontraram lá, mas trouxeram algo bem diferente aqui, nada parecido com o espírito Rock oldschool que ouvíamos antes.

O disco parece ser construído a partir de tentativas de ser muitas coisas, mas, acima de tudo, aplicar ao famoso Rock gaúcho, uma dose mal administrada de psicodelia. O registro já nos soa diferente a partir do momento que nos deparamos com uma faixa introdutória (Costa Do Marfim, com percussões étnicas) e uma composição de quase onze minutos (Nós Vamos Fazer Você Se Ligar, com compassos repetitivos e com um abuso descomunal de sintetizadores) logo no início. Parece uma tentativa de trabalhar com a estética abordada em músicas de Jagwar Ma, na qual a repetição entra em função da lisergia, evidenciando um formato bem mais downtempo do que o hit do passado Sexperienced, de 2001.

Em certos momentos, principalmente na faixa Nuves de Fumaça, vemos a opção do grupo por trabalhar com percussões e kits de bateria eletrônica, uma mudança precipitada na sonoridade, já que não há nada que preparasse o ouvinte para tamanha alteração. Esta escolha as vezes dá um ar “rave anos 90” aos gaúchos vestidos de preto e boinas. Quando você acha que começa entender esta confusa nova dinâmica, Eu Não Vou Mudar te joga na cara influências notáveis de Supergrass só que com uma linha vocal de Beto Bruno que se destaca acima de todos instrumentos, seja pelo seu sotaque do sul como pela letra construída de forma previsível.

A questão do estranhamento deste novo disco é não saber dosar a inovação. Cachorro Grande parece que pula uma etapa da evolução natural das sonoridades e nos mostra uma banda completamente diferente do que escutamos há apenas um disco passado. Vemos algumas influências Blues e Rock dos primórdios da banda (respectivamente, Fizinhur e Eu Quis Jogar). Mas esta tentativa de tentar harmonizar esses fatores com uma música eletrônica tão esteriotipada e simples, não foi uma escolha sensata neste registro.

Obviamente, não se trata de algo tão abominável e imperdoável, mas de algo não esperado por uma banda que tem tantos anos de carreira e tantos discos no currículo. Uma melhor reflexão acerca de novos caminhos é pertinente para o conjunto gaúcho. Vamos esperar por melhores caminhos nas próximas empreitadas.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.