Resenhas

Carly Rae Jepsen – E•MO•TION

Cantora canadense une-se a bons produtores e produz álbum divertido do começo ao fim

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Ano: 2015
Selo: School Boy / Interscope Records
# Faixas: 12
Estilos: Pop, Dance Pop
Duração: 44:00
Nota: 3.5
Produção: Ariel Rechtshaid, Dev Hynes, Rostam Batmanglij

E•MO•TION é a vitória do trabalho duro no Pop. Carly Rae Jepsen dominou, encantou – e também irritou – o mundo em 2012 com seu sucesso Call Me Maybe e parece ter se esforçado muito para conseguir continuar rondando os picos mais altos da música popular e não ser jogada no balde imenso de artistas que desaparecem após um único hit. A prova disso são as mais de 200 músicas que parecem ter sido escritas para este trabalho, com uma seleção final de doze, além de três extras que preenchem a versão deluxe.

Felizmente, o que tem ganhado destaque neste novo disco são os bons nomes envolvidos com o projeto. Como bem desenvolvido em um recente artigo do Monkeybuzz, a cantora optou por uma rota um pouco mais “alternativa” – com todas as aspas que possam ser colocadas – convidando nomes como Ariel Rechtshaid, Dev Hynes (Blood Orange) e Rostam Batmanglij (membro da banda Vampire Weekend) para participarem da produção do trabalho.

Essa escolha é certeira por se tratarem de três dos produtores que mais tem ajudado a borrar a linha que separa o alternativo do mainstream nos últimos anos. Trabalhando com nomes como HAIM, Sky Ferreira e Solange, entre outros, eles tem conseguido trazer novas ideias pra dentro do Pop, com novas referências, mais atitude e ajudando estes artistas a pelo menos tentarem seguir o caminho menos óbvio quando possível.

O mais difícil para muitos ouvintes acostumados com uma música mais comercial é entender a influência que estes caras conseguem ter de fato no som da cantora, mas é tudo muito didático em E•MO•TION. All That traz os sintetizadores bem oitentistas que compõem a textura do álbum Cupid Deluxe, de Blood Orange. Making The Most Of The Night (e várias outras, mas aqui é mais evidente) traz a percussão empolgante que Ariel Rechtshaid utilizou recentemente em Days Are Gone, de HAIM, e em Can’t Deny My Love, de Brandon Flowers. Já Warm Blood é mais etérea, mais obscura que o restante do disco, a voz de Carly está escondida atrás de mais efeitos, além de outros elementos bem inseridos por Rostam Batmanglij que quebram com a expectativa do ouvinte.

Mesmo com esses toques certeiros, nada de novo pode ser visto aqui. As faixas que conseguem absorver melhor as influências dos novos produtores são bem parecidas com os trabalhos anteriores destes artistas, apenas agora com a voz de Carly. Seu material mais comercial, semelhante a seu último trabalho, também soa familiar, pescando um pouco de tudo que se ouviu no rádio nas últimas duas décadas. No entanto, o baixo nível de originalidade das canções é inversamente proporcional ao nível de diversão delas e ao quanto são contagiantes, dançantes e grudentas – características bem exemplificadas no single I Really Like You.

Talvez Carly tenha dado um ótimo segundo passo em sua carreira, mas é possível pensar em um terceiro para que consiga gravar seu nome na memória do Pop. Trazer mais personalidade para as suas músicas, para que possamos ver mais dela e menos dos outros envolvidos pode ser um bom desafio para quem já provou conseguir o mais difícil, produzir um disco Pop consistente e divertido.

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BOM PARA QUEM OUVE: Ariana Grande, Tove Lo, Haim
MARCADORES: Dance Pop, Pop

Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.