Resenhas

Cate Le Bon – Crab Day

Quarto disco de compositora desconstroi o Indie Rock de maneira interessante

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Ano: 2016
Selo: Turnstile Music
# Faixas: 10
Estilos: Experimental, Indie Rock, Indie Pop
Duração: 36:20
Nota: 3.5
Produção: Josiah Steinbrick e Noah Georgeson

Cate Le Bon sabe produzir bombas poderosíssimas. A mais recente se revelou na parceria DRINKS, na qual a compositora encontrou no Indie Rock uma referência para distorcer e recriar como bem entendesse. Na verdade, sua aptidão para o bombástico já vem desde sua estreia Me Oh My, na qual ela começou a explorar e desconstruir certos padrões do gênero, antes considerados estáticos.

Talvez, a grande qualidade de Cate não esteja na desconstrução em si, mas na forma como ela se sente confortável e pacífica em um oceano de caos, dodecafonismos e repetições. Em meio a tantos projetos paralelos e colaborativos, ficamos mais uma vez diante do universo particular da cantora, com o lançamento de seu quarto disco e, desta vez, as coisas parecem caminhar para um caminho antônimo ao seu experimentalismo.

Surpreendentemente, Crab Day está em uma esfera Indie Pop, com momentos em que você pode jurar que está ouvindo um disco de Belle & Sebastian tocado de trás pra frente. Isso poderia depor totalmente contra a qualidade de obras passadas, mas a forma como somos de certa forma iludidos pelas melodias “fofas” e logo depois sacudidos com as quebras bruscas e o comportamento imprevisível das faixas é o que faz deste trabalho uma continuação da excentricidade de Cate.

Love Is Not Love é suave, mas é traiçoeira, trazendo um sentimento de calma com alguma desconfiança de que a qualquer momento as coisas podem sair fora do eixo. Já I’m A Dirty Attic se entrega mais ao Indie Rock, mas isso não significa que esta seja uma música mais concreta, afinal, conta com contratempos calculados de bateria e repetições exaustivas, não se entregando jamais ao comum. Por fim, Yellow Blinds, Cream Shadows é sutil e, talvez a composição mais tranquila do disco, mas a construção concreta e ríspida ainda cria laços bastante afetuosos com o que pode ser caracterizado como “fofo, mas nem tanto”.

Assim, disco ainda conta com o melhor da cantora, o que pode facilmente cativar seus ouvintes mais assíduos. Crab Day não é uma evolução da sonoridade já conhecida, mas uma mudança de perspectiva do olhar crítico e minucioso de Cate Le Bon para outros gêneros. É uma forma de dizer ao público que sua proposta ainda não foi totalmente explorada e que ela ainda rende frutos bastantes interessantes. Mais um trabalho com a qualidade já conhecida e que não entedia o ouvinte tão facilmente, envolto de esquisitisse Indie: adorável e vulgar.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.