Resenhas

Chad VanGaalen – Light Information

Novo disco de cantor/compositor norte-americano fica na promessa

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Ano: 2017
Selo: Sub Pop
# Faixas: 12
Estilos: Lo-Fi, Rock Alternativo, Pop Alternativo
Duração: 38:41
Nota: 2.5
Produção: Chad VanGaalen

Há poucos dias, eu disse que havia um tipo de artista em atividade no Pop mundial recente. São caras que tocam todos os instrumentos, produzem, arranjam e, via de regra, dirigem seus clipes, pensam nas artes das capas dos álbuns, enfim, sujeitos que batem o escanteio e estão na área, esperando a chance de cutucar a bola pras redes. Esqueci de mencionar que existem os bons e os maus representantes dessa estirpe de músico. Os mais talentosos conseguem soar como pequenos e distintos mestres da ourivesaria Pop, se valendo de bons refrãos, arranjos legais e visão de jogo, enquanto os maus são aqueles que naufragam em conceitos vazios, patinam em exageros/carências instrumentais ou que, simplesmente, não conseguem exercer o ofício de bons cantores/compositores. Infelizmente, Chad VanGaalen é um desses caras pouco afortunados no quesito melódico da coisa. Seu novo álbum Light Information vem confirmar isso.

Não que o disco seja ruim, porque não é. Ele, simplesmente, não é bom. Fica num limbo imaginativo em que habitam cançonetas com guitarrinhas sem eira nem beira, com estruturas melódicas prestes a ruir por fragilidade, não por conceito. E a voz de Chad é um híbrido sem graça de alternativo com Pop mais clássico, novamente por acaso, deixando pra trás qualquer intenção de cutucar algo ou alguém. Há um apreço demasiado pelo Lo-Fi que, nesses casos, mais irrita do que cativa, deixando tudo com impressão de ser uma fita demo recauchutada pelo estúdio. Interessante que a carreira do sujeito começou há cerca de dez anos, em sua cidade natal, Alberta, no Canadá. Lá ele desenvolveu sua composição, sempre a partir de registros caseiros de baixo orçamento. Também especializou-se em confeccionar gravuras feitas à mão, vendendo os CDs a preços mais que camaradas, na porta de suas apresentações em buracos miseráveis da cena local. Até aí, nada demais. Só que algum olheiro da Sub Pop o viu em ação e achou que era um movimento legal por parte da gravadora a contratação de VanGaalen. O resto é história.

É claro que o crítico musical pode estar abusando de sua capacidade de desconfiança em relação à obra de um artista, ainda que seja essa uma de suas principais funções. Mesmo assim, com o benefício da dúvida concedido, Chad não consegue cravar uma única canção memorável em seu disco. Várias ficam próximas de soar interessantes, mas abrem mão de alguma imortalidade Pop pelo fato do sujeito não ser muito afeito a refrãos interessantes ou algo que te faça parar o que está fazendo e prestar muita atenção no que vem das caixinhas de som. Duas faixas se destacam na mesmice alternativa que Chad propõe: Faces Lit, com um ar largado e bateria dissonante, assessorada por guitarras indigentes, é interessantezinha por tentar abraçar algum tipo de levada Rock meio malvada, algo que poderia ser de The Rolling Stones, caso eles tentassem soar muito amadores e desleixados. Pine And Clover, logo em seguida, é bonitinha por parecer com algum registro engavetado de Neil Young dos anos 1980, sua pior década de atividade, mas que reserva alguns charmes para os que forem mais tenazes no garimpo.

De resto, uma longa procissão de canções que ficam no quase. Broken Bell é lenta, indolente e tediosa, falhando na tentativa de criar algum clima de contemplação. Mystery Elementals é dessas faixas que tentam misturar guitarras e levadas mais pesadas para revestir um fiapo de melodia, algo que fica no meio do caminho. Locked In The Phase até poderia subir de posto na avaliação, mas sua boa condução de guitarras distorcidas não é suficiente para livrá-la dos vocais mal gravados e mal ampliados, algo que irrita bastante. Host Body é frouxa, Golden Oceans não engrena…É como um avião abortando a decolagem.

Chad VanGaalen não é caso perdido, no entanto. Dá pra vê-lo fazendo algo melhor, o que nos dá certa vontade em ver o que ele vai entregar no próximo disco. Mas, não se engane, não é tanta vontade, assim, não.

(Light Information em uma faixa: Pine And Clover)

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Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.