Resenhas

Chelsea Wolfe: Prayer For The Unborn

Em tributo a Rudimentary Peni, cantora assume novamente o violão, se mostrando cada vez mais íntima do instrumento

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Ano: 2013
Selo: Southern Records
# Faixas: 5
Estilos: Acústico, Gótico
Duração: 11:43
Nota: 3.5
Produção: Harvey Birrell

Sempre que nos deparamos com um disco de tributo, é importante pararmos para analisar duas coisas. Primeiro, como se trabalha a diferença ou similaridade entre o que presta e o que recebe a homenagem. Segundo, se há uma compatibilidade e interação entre ambos, o que só fortalece ainda mais esse tributo e torna o trabalho final ainda melhor. No caso de Prayer For The Unborn, observamos uma ótima ligação entre Chelsea Wolfe e Rudimentary Peni, a banda que recebe o tributo.

Enquanto aguardamos por mais materiais vindos por parte de Chelsea desde o lançamento do belo disco acústico da cantora, temos agora mais um pouco desse seu lado desplugado e intimista que surpreendeu ao deixar o lado mais sombrio e perturbador e encantou com sua doçura fria.

Mesmo com apenas cinco faixas, todas elas originalmente da banda homenageada, podemos observar que Chelsea acabou por gostar de assumir as seis cordas do violão e passar através dele uma emoção mais pessoal. E o faz de uma maneira bela e muito bem trabalhada. Afinal, não é tão simples e fácil assim transformar canções de uma banda de Trash Metal/Punk Hardcore com seus vocais rasgados, instrumentais pesados e distorcidos lotados de agressividade e fúria em canções dedilhadas em um violão acústico e entoado por uma doce voz que fala baixinho e alcança “cinzentamente” o interior do ouvinte.

Parte de uma coletânea, chamada Latitude Sessions, que traz em sua maioria regravações em tributos, Prayer of the Unborn foi gravado no mesmo estúdio onde os discos da Rudimentary Peni foram produzidos. E a interação não para por aí. Vale ressaltar que o vocalista Nick Blinko, ao saber do tributo que seria feio por Wolfe, produziu a capa para o disco com seus próprios punhos, dando assim simbolicamente o total aval para que a cantora pudesse dar sua interpretação para as canções de sua banda.

Outro ponto importante a ser destacado, ainda ao falarmos desse elemento que é a interação entre os dois lados de um tributo, é que Chelsea Wolfe, até antes de seu disco acústico, sempre foi uma artista pautada no Gótico mais sombrio e esquizofrênico. Desse modo, vemos que as linhas da Rudimentary Peni com certeza fizeram parte das audições da cantora como uma de suas várias bases, tomando deles um pouco do peso de seus sons dos primeiros CDs.

Mais um vez, vemos o lado acústico e introspectivo de Chelsea, e o vemos muito bem executado. Parece que ela se descobriu nesse seu lado e tomou gosto por ele, assim como nós o fizemos. O álbum em si não requer muita análise, principalmente por se tratar de ser um disco de covers. Entretanto vale avaliar sobre o ponto de que Chelsea se mostrou uma boa musicista ao conseguir passar músicas extremamente pesadas e densas de instrumentos elétricos para uma versão acústica e, com um detalhe, com seu toque característico, sem deixar que sua obra, mesmo que tributo, ficasse sem sua assinatura. Que ela continue caminhando por esse lado voz e violão, pois o resultado só tem agradado desde então.

Chelsea Wolfe – Prayer For The Unborn by Vitor Ferrari on Grooveshark

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BOM PARA QUEM OUVE: Zola Jesus, Feist, Cat Power
MARCADORES: Acústico, Cover, Gótico

Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).