Resenhas

chloe moriondo – Blood Bunny

Entre o Pop Punk e o Alternativo, segundo disco da jovem artista americana narra desventuras da adolescência com espontaneidade cuidadosamente pensada

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Selo: Fuled By Ramen/Elektra
# Faixas: 13
Estilos: Pop Punk, Indie Rock
Duração: 44'

Conteúdo confessional de quem ainda não viveu tanta coisa, mas sente muitas – eis uma definição possível para o que encontramos em Blood Bunny, o segundo álbum da estadunidense chloe moriondo. Aos 18 anos, a cantora e compositora apresenta diferentes facetas de sua sonoridade que amparam e ilustram suas reflexões cheias de sensibilidade. Sem muita surpresa, ela canta sobre suas primeiras paixões conflituosas, como não saber se gosta ou odeia alguém (“Bodybag”), e sobre a autoestima dessa faixa da vida – sendo o desconforto (ou o cringe?) um dos temas mais presentes do disco, seja por sentir-se inadequada ao ver as mulheres na mídia (“Girl on TV”) ou por experimentar suas primeiras rejeições amorosas.

Da mesma forma, Blood Bunny não apresenta lá muita originalidade na maneira com que trabalha suas composições. Qualquer pessoa versada no Pop Punk e na vertente do Indie que ocupa o mainstream há cerca de uma década (aquela bastante volumosa, puxada para o eletrônico) reconhecerá com grande familiaridade suas músicas como pertencentes a este filão estereotipicamente adolescente, seja nas músicas mais agitadinhas ou nas baladas sentimentais – ambas as categorias aparecem tanto ao longo do disco a ponto de ser difícil distinguir na memória “Rly Don’t Care” e “I Want to Be With You”, ou “Samantha” e “I Eat Boys”, de tão parecidas que as faixas são.

É um som que se dá muito bem no licenciamento para trilhas sonoras (seja em TV, cinema, games ou propagandas), e por isso essa sensação de ser uma estética que nos cerca já há muito tempo. Ao contrário de outras contemporâneas também adolescente (é difícil não pensar em Billie Eilish ao falar de uma adolescente norte-americana fazendo música), chloe coloca toda sua ênfase em suas narrativas. Talvez pelo peso que o cantar em primeira pessoa tenha, talvez pelo desconforto confessional de muitos de seus versos. Mas nós, aqui do outro lado, em especial os que não são da mesma idade e geografia, dificilmente vamos querer ouvir o álbum mais uma vez. Até porque a postura propositalmente desencanada (do nome em minúscula ao título das faixas), tão milimetricamente planejada para parecer espontânea, é percebida com o mesmo grau de verossimilhança de uma foto publicada com filtro no Instagram.

(Blood Bunny em uma faixa: “I Want to Be With You”)

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.