Resenhas

Chris Cohen – As If Apart

Segundo trabalho do músico molda sua definitiva identidade

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Ano: 2016
Selo: Captured Tracks
# Faixas: 10
Estilos: Psicodelia, Lo-fi,
Duração: 32:00
Nota: 4.0
Produção: Chris Cohen

Chris Cohen é um captador de frequências. O fato de integrar diversos grupos com sonoridades distintas entre si parece ter sensibilizado seus sentidos a ponto de aguçar sua criatividade, aproveitando de cada projeto um pouco. Enquanto Deerhoof imprimiu tons mais brandos e intimistas à personalidade do compositor, as parcerias com Ariel Pink renderam abstracionismos e delírios psicodélicos, que, combinados, acabaram moldando um som que lembra a despretensão do Lo-Fi, mas que incorpora uma seriedade ímpar. Além disso, uma semelhança inacreditável com a voz do vocalista Erlend Øye contribui para a ambientação calma. Entretanto, emprestar características de outros nomes poderia trazer muitos empecilhos, uma vez que a identidade soora de Chris Cohen estaria sempre sujeita a outros, criando pouco impacto por si só. Felizmente, isto não passa de uma previão inexata.

Seu segundo trabalho solo firma sua identidade e a destaca dos vínculos de projetos paralelos. As If Apart é algo definitivo e que traduz, ou pelo menos tenta traduzir, todos os pensamentos de Chris, em um grande quadro abstrato. E, como toda obra de arte assim, é inevitável que das linhas e formas tentemos reconhecer padrões conhecidos. Ou seja, tentamos nomear estas novas expressões, mas estamos diante de algo bastante original e lisérgico, o que dificulta mais ainda essa missão de tentar conectar as peças deste grande quebra cabeça. Entre pads de sintetizador, vocais inexpressivos, texturas de guitarras bem aquecidas e baterias simples é que Chris mostra o que esteve pensando nos últimos três anos, período em que escrever, gravou e produziu o trabalho.

Há um senso de coesão entre as faixas que une o registro, quase como um sonho, no qual as situações imaginadas são as mais doidas possíveis, porém temos sempre em nosso subconsciente que ainda sim é um sonho. Por exemplo, Memory é mais branda do que o agitado single As If Part, mas os reverbs tortos com delay de fita presentes em ambas as composições acaba construindo pontes imaginárias, que conduzem o ouvinte pelo mágico (e perturbado) mundo de Chris Cohen. Outro exemplo está em Yesterday’s On My Mind, na qual identificamos durante seus poucos mais de três minutos um toque sessentista do Rock psicodélico, mas, ao mesmo tempo, percebemos flertes concomitantes com o Shoegaze e até mesmo um Indie Rock inocente.

Um trabalho que unido pela desconexão, criando uma unidade explorando o caos de cada subgênero. Um trabalho que define Chris Cohen: mirabolante, caótico e, ironicamente simples.

(As If Apart em uma faixa: Yesterday’s On My Mind)

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BOM PARA QUEM OUVE: Morfina, Damaged Bug, Mac Demarco
ARTISTA: Chris Cohen

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.