Resenhas

Cícero – Canções de Apartamento

Umas maiores supresas de 2011, Cícero Lins consegue fazer um disco na solidão de seu apartamento que ultrapassa suas paredes e chega a cada um de uma maneira muito única, da MPB ao Indie Rock ele escancara sua vida em belas letras

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Ano: 2011
Selo: Independente
# Faixas: 10
Estilos: MPB, Indie Rock
Duração: 35:10
Nota: 4.5
Produção: Cícero Lins e Bruno Schulz

O grande mérito de Cícero foi expor com tamanha sinceridade temas tão pessoais em sua música, nas quais escancarou a banalidade do cotidiano com suas letras e observações sutis com um olhar singular sobre solidão, relacionamentos, decepções, angústias e incertezas.

Mesmo formado em Direito, ele sempre soube que acabaria trabalhando com música – o que fez por anos à frente da banda Alice. Três anos após o fim da banda, Cícero volta com Canções de Apartamento, projeto solo gravado (como diz o título) em seu apartamento que, em pouco mais de seis meses, conquistou uma grande quantidade de fãs que baixaram seu disco gratuitamente no site do músico.

O álbum se apresenta agradável aos ouvidos de quem está disposto a ouvi-lo. Não vemos uma persona, mas sim o próprio Cícero mostrando a todos quem realmente é. Cada canção tem um pouco dele, em cada canção o conhecemos mais. Sua inspiração é as pessoas e os sentimentos delas, o que possibilita a identificação de muitos com o seu trabalho.

Tempo de Pipa abre o disco se mostrando um grande hit, a mais acessível entra as dez que compõe o álbum, sendo entoada em coros nos shows. Vagalumes Cegos traz um toque de Indie Rock ao trabalho, terminando a faixa à la Pixies, explorando o contraste entre alto e baixo, sereno e agitado, acústico e distorcido que ocorre mais vezes durante o disco, e liricamente soa como as obras apaixonadas de Chico Buarque.

O vocal sofrido de João e o Pé de Feijão consegue passar exatamente a aura da música, a grande ironia presente em Açúcar ou Adoçante? em “Mas se você quiser/alguém para amar/Ainda/Hoje não vai dar/Não vou estar/Te indico alguém” e a poderosa Laiá Laiá, que explode num “laiá laiá” acompanhado pelas guitarras distorcidas, conseguem mostrar um panorama do Canções, que ao contrário do nome não está mais enclausurado em seu Apartamento.

A profundidade de cada letra é acompanhada por arranjos belos e simples, que acompanham a música e ajudam a dar forma a elas. Classificar o som de Cícero é uma coisa difícil, ele mesmo diz que “Sei que é música, porque não é silêncio, que é popular, porque não é erudita, e brasileira, porque não é japonesa”. A MPB está muito presente, principalmente em influências como Tom Jobim e Caetano Veloso, mas existem inúmeras outras influências em sua música que dificultam sua classificação. A inspiração e admiração pelo Radiohead trouxeram um pouco desse clima no disco e The Beatles e Sonic Youth também entram nesta lista.

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BOM PARA QUEM OUVE: Marcelo Camelo, Wado, Pélico
ARTISTA: Cícero
MARCADORES: Indie Rock, MPB, Ouça

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts