Resenhas

Cold War Kids – Dear Miss Lonelyhearts

Fugindo mais uma vez de sua fórmula de sucesso ultilizada em seus dois primeiros discos, o grupo não decepciona, mas também não empolga

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Ano: 2013
Selo: V2
# Faixas: 10
Estilos: Indie Rock, Rock Alternativo
Duração: 36:44
Nota: 2.5
Produção: Lars Stalfors
SoundCloud: /playlists/4145577
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fdear-miss-lonelyhear

Mesmo brincando com tendências do Indie Rock, Blues Rock e algo teatral em suas letras e na forma de apresentá-las, Cold War Kids ficou conhecida pelas suas idiossincrasias e peculiaridades que a distinguiu de outras tantas bandas que pipocavam na época em que lançaram seus primeiros trabalhos. Os discos Robbers & Cowards e Loyalty to Loyalty seguiram uma espécie de “fórmula”, que carregava essas sonoridades vindas do Indie e Blues Rock, mas também tinham bastante personalidade, seja nas letras, vocais ou nas baladas guiadas pelo piano de Nathan Willett.

Em seu terceiro álbum, Mine Is Yours (2011), o grupo decidiu se afastar desta fórmula e as coisas não foram tão bem quanto o esperado. Para tentar se redimir deste “erro” e redefinir seu som, a banda lançou Dear Miss Lonelyhearts, que busca em seu próprio passado alguma inspiração para continuar relevante em um cenário tão efêmero como o de hoje; porém decide mais uma vez não recorrer à mesma receita de seus primeiros discos.

A abertura com Miracle Mile, faixa acelerada e com a forte condução do piano, dá pistas que a obra seguiria pelo caminho apresentado nestes álbuns. Porém, a sequência com Lost That Easy segue para outro lado, apostando em um fundo eletrônico para uma canção que se aproxima do Power Pop. Já em Loner Phase, Willett e companhia encontram nos primórdios do Synthpop a inspiração para criar algo “novo”, pelo menos para a banda, mas que foge completamente do que fora apresentado até então.

Sem muita coesão, a banda continua criando sob essa grande diversidade de sonoridades e estilos, o que pode deixar o ouvinte meio confuso em alguns momentos. A vibe quase gospel de Tuxedos, mais uma vez a proximidade do Synthpop em Bottled Affection, o clima autofágico de Jailbirds e a baladinha Water & Power, são só alguns destes pontos que fazem de Dear Miss Lonelyhearts um disco quase esquizofrênico.

Ainda assim, certos pontos não mudam na sonoridade apresentada pelo Cold War Kids. A teatralidade vocal e lírica de Nathan continuam intactas e em alguns momentos são elas que chamam mais atenção dentro do álbum. Faixas como Fear & Trembling e Bitter Poem provam isso.

No geral, Dear Miss Lonelyhearts supera seu antecessor no que diz respeito à inovação, mas erra a mão na hora de trazer tantos estilos diferentes e não ter a menor preocupação em fazê-los funcionarem juntos. Essa me parece mais uma coleção de novas faixas que foram reunidas em algo que chamaram de disco, do que uma obra pensada e preparada para soar desta forma. Ela não decepciona, mas também não anima o ouvinte.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts