Resenhas

Common – Nobody’s Smiling

Rapper foca em tratar de assuntos de sua cidade natal, mas que já foram amplamente trabalhados

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Ano: 2014
Selo: ARTium/Def Jam
# Faixas: 10
Estilos: Hip Hop, Rap
Duração: 41:32
Nota: 2.5
Produção: Common, No I.D.

Dez discos, vinte e três anos de carreira, quarenta e dois anos de idade. Experiência e vivência de rua não faltam para Common. Em seu novo trabalho, Nobody’s Smiling, o rapper foca a temática na questão da violência e nos altos níveis de criminalidade de sua terra natal, Chicago. Porém, os relatos parecem os mesmo de outrora.

Desde sempre se apoiando em assuntos que fogem do clichê (apesar de um referência sobre champanhe e Audi) Pop e – como está na moda o termo – ostentação de artistas do Hip Hop e Rap, Common mais uma vez mostra o jeito oldschool de se fazer a música das ruas. Por entre as dez faixas que compõem o novo trabalho, observamos várias referências à Chicago, que variam desde discursos que soam como um domínio de território (exemplificado nos seguintes versos de Young Hearts Run Free: “I ride around town like this is my town/ Rap to myself, tryna see how I sound/Kinda arrogant cause I’m from Chi Town” – “Eu dou rolê pela cidade porque essa é minha cidade/Faço Rap para mim mesmo, tentando ver como que eu soo/Um pouco arrogante porque eu sou de Chi Town [Chicago]”).

Entretanto, são os versos mais humanizados, os que mais retratam o que Common viu e vê nas ruas da Cidade do Vento, que nos ganham a atenção. Seja a questão das mortes cotidianas de Kingdom – “Kiss of death, you heard me?/My world ain’t worldly, any time could be my time/I get high, but still ain’t seen Chicago skyline” (…) My homie used to rap (…)/At his funeral, listening to this church song/His family yelling and screaming, I hurt for ‘em” (“Beijo da morte, você me ouviu?/ Meu mundo não é mundano, qualquer hora pode ser minha hora/Eu fico chapado, mas ainda não consigo ver o horizonte de Chicago […] Meu camarada costuma fazer rap […]/ No seu funeral, ouvindo à esta música da igreja/Seus familiares gritando e chorando, Eu sinto por eles”) – ou da interessante 7 Deadly Sins, que relata os sete pecados capitais ocorrendo nas ruas de Chicago – “Envy, the cousin of jealousy, on the streets it’s a felony/When niggas fucking hit you up on fidelity/They hate it, to see you celebrated” (“Inveja, a prima do ciúme, nas ruas isso é traição/Quando os caras te fodem na fidelidade/Eles odeiam ver você comemorar”).

Apesar de relatos interessantes e batidas muitas vezes comerciais – o que conseguem tirar um possível peso das músicas durante toda a sua execução – Nobody’s Smiling, apesar de ser um disco no geral de boa qualidade, não impressiona em trazer algo novo, seja nas propostas de Common quanto em relatos, os quais o mundo do Rap desde sempre trouxe, mas ao mesmo tempo não chega a fazer feio para um resgate da maneira oldschool de se fazer o estilo.

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BOM PARA QUEM OUVE: Kanye West, Lupe Fiasco, Nas
ARTISTA: Common
MARCADORES: Hip Hop, Rap

Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).