Courtney Barnett – Sometimes I Sit and Think, And Sometimes I Just Sit

Narrando a vida cotidiana com olho clínico e humor, musicista lança excelente álbum

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Ano: 2015
Selo: Milk! Records, Marathon Artists, House Anxiety, Mom + Pop Music
# Faixas: 11
Estilos: Folk Pop, Grunge Pop, Indie
Duração: 43:29
Nota: 4.0
Produção: Burke Reid, Courtney Barnett, Dan Luscombe

Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit não poderia ser um nome melhor para o novo álbum da artista australiana Courtney Barnett. Nele, a compositora parece apreender, tanto em suas letras como no modo de cantá-las, o turbilhão ruminante de uma mente cotidiana, e, assim, criar um universo cativante em suas canções.

Uma qualidade bastante exaltada na obra de Barnett é sua habilidade de descrever os pequenos detalhes das situações cotidianas e extrair delas o substrato lírico de seu storytelling. Da exaltação do ócio criativo de Avant Gardener (presente em seu The Double EP: A Sea of Split Peas) até a crise provocada pela rotina em Elevator Operator, Barnett une sua habilidade de contar histórias cheia de trejeitos à la Belle and Sebastian com um ar blasé e displicente, que exalta romanticamente, e com humor, sua postura mediana diante da vida.

Mas, voltando ao título do trabalho, me parece que não é só a habilidade clínica que Barnett tem de descrever situações comuns o que torna o álbum tão interessante. Se focarmos a atenção na segunda parte do nome do trabalho, que nos diz “Sometimes I Just Sit”, poderemos notar que a máxima beckettiana de sentar-se em frente a uma parede e encará-la tediosamente, provoca um vazio existencial e meditativo que faz nossa mente operar de maneira indiscriminada e caótica.

E é nessa segunda feição de seu trabalho que Barnett apoia sua estética. É no modo como mantém o mesmo tom de voz em frases longas, ou como quase atropela a métrica de seus versos que Barnett expressa uma mente que rumina, exagera, muda de assunto e super analisa, e, assim, cria seu modo de compor tão único e interessante.

Sonoramente, Sometimes… traz algo além da fofura Twee em suas músicas. Existe um charme Grunge à seu trabalho com guitarras distorcidas em power chords, que expressam, sintomaticamente, os seus paradoxos: a tensão oscilante entre o tédio e a ansiedade, o Rock e o Folk, o doce e o amargo e, enfim, entre o meramente cotidiano e o poético.

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Autor:

Discreto e silencioso. Falo pouco, ouço bem, porém.