Resenhas

Crystal Fighters – Cave Rave

Mesmo com consideráveis melhoras, em seu segundo álbum a banda dilui seus principais pontos fortes e fica um pouco camuflada entre as outras tantas bandas do Indie Pop

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Ano: 2013
Selo: Zirkulo
# Faixas: 10
Estilos: Indie Pop, Eletrônico Étnico, Electroclash
Duração: 38:00
Nota: 3.0
Produção: Graham Dickson, Sebastian Pringle, Gilbert Vierich
SoundCloud: https://soundcloud.com/crystalfighters/wave
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fcave-rave%2Fid638708

Star Of Love, disco de estreia do quinteto anglo-espanhol Crystal Fighters, polarizou grande parte das críticas na época em que saiu. Se para alguns as batidas frenéticas e grande presença dos sintetizadores e sonoridades eletrônicas (vindas da New Rave), e a grande pegada étnica (proveniente de vários cantos do mundo, com ênfase na cultura basca), foi uma grande novidade musical de 2009, para outros essa amálgama não deu muito certo por se perder dentro desta proposta sonora que, por fim, dava mais ênfase ao experimentalismo do que no conteúdo das músicas. Mesmo não agradando gregos e troianos, a banda conseguiu convencer a crítica de uma coisa: seu potencial. Além, claro, de emplacar muitos hits nas pistas mundiais (Plage, Xtatic Truth e In the Summer são alguns deles).

Três anos se passaram e o grupo chega a seu segundo álbum tentando corrigir alguns destes “problemas” apontados em seu primeiro álbum. Mais centrado em letras e melodias (do que simplesmente fazer uma ótima festa), Cave Rave pode novamente polarizar criticas, mas desta vez as pertencentes aos fãs; pois grande parte dos elementos que fizeram seu debut, de alguma forma apelativo, aparecem aqui diluídos. Se em Star of Love havia muita divagação sonora (englobando desde os wooble bass do Dubstep às batidas do Afrobeat, da instrumentação do Folk basco aos eufóricos sintetizadores da New Rave), aqui há mais coesão e uma proposta mais inteligível – ainda que seja menos empolgante, enérgica e consideravelmente entregue com menos urgência.

Ainda que menos densos, os elementos consolidados na sonoridade da banda ainda oferecem bons momentos dançantes e letras consideravelmente melhores elaboradas (o que não é difícil de se superar quando comparado a faixas como Solar System ou I Love London). E é irônico, mas as melhoras vistas aqui acabam tornando o disco mais brando e de certa forma mais alinhado com o que já é amplamente difundido entre o Indie Pop – é claro que o tom étnico ainda continua sendo um grande diferencial. Isso é visto mais ao fim do álbum, onde as músicas se tornam mais genéricas e sem sal (caso de Love Natural, These Nights e Everywhere).

A proposta de trazer novos ritmos e instrumentos é de certa forma potencializada aqui e é vista pela banda brincando com txalaparta, txistu (ambos instrumentos bascos) e charango (uma espécie de ukelele boliviano), além de muitos ritmos africanos. Essa grande mistura aparece principalmente na aura latina de No Man e na percussão tribal de LA Calling, também dissolvida nas demais canções. Até mesmo os sintetizadores (importante em grande parte do primeiro álbum) se fazem presentes em canções como Separator e Are We One (esta recorrendo a um clima quase “Calvin Harris).

O resultado é um disco conciso, cheio de músicas bem orientadas e melodicamente muito bem construídas, porém longe de serem tão empolgantes quanto as do disco passado – até mesmo os singles (Wave, You & I e Separator) parecem mais tímidos e não chegam aos pés dos que foram apresentados em Star of Love. Ainda assim, Cave Rave é um álbum que mostra certa evolução em muitos pontos da banda (a parte lírica, mesmo que continue presa nos mesmos temas, é a mais perceptível), ainda que represente também a perda de elementos que mais chamam a atenção na sua musicalidade – a urgência e a vibe festeira foram duas baixas importantes.

Crystal Fighters – Wave

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts